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Delação ameaçada

J&F diz que Janot fez "interpretação equivocada" e que será esclarecida

Agência Brasil
05 set 2017 às 09:26

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A holding J&F, controladora do grupo JBS, informou, em nota, na noite desta segunda-feira (4) que houve uma "interpretação equivocada" do diálogo entre executivos da companhia pela Procuradoria-Geral da República (PGR). E que a conversa tem apenas "cogitações de hipóteses" e que não há "uma palavra sequer" que comprometa autoridades. De acordo com a empresa, a suspeita será esclarecida e que o "ato de boa fé dos colaboradores" não foi comprometido em "momento algum".

As declarações foram dadas após o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, informar que abriu investigação sobre suspeitas de que os delatores omitaram informações da procuradoria, o que pode levar a anular os benefícios concedidos aos delatores. Segundo Janot, em um áudio de quatro horas executivos que fizeram delação premiada narram supostos crimes que teriam sido cometidos por pessoas ligadas à PGR e ao Supremo. Apesar de cogitar o fim dos benefícios, Janot disse que as provas devem ser mantidas e continuarão nas investigações.

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"É verdade que ao longo do processo de decisão que levou ao acordo de colaboração, diversos profissionais foram ouvidos — mas em momento algum houve qualquer tipo de contaminação que possa comprometer o ato de boa fé dos colaboradores", justificou a empresa, em nota.


A J&F classifica a possibilidade de anulação do acordo, firmado entre a JBS e o Ministério Público Federal, como uma "interpretação precipitada" do material que "será rapidamente esclarecida assim que a gravação for melhor examinada".


"Conforme declarou a própria PGR, em nota oficial, o diálogo em questão é composto de ‘meras elucubrações, sem qualquer respaldo fático’. Ou seja, apenas cogitações de hipóteses - não houve uma palavra sequer a comprometer autoridades", afirmou a holding.


Já o comunicado do MPF, porém, informa que alguns fatos precisam ser esclarecidos.

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"Consta do vasto material entregue à PGR diversos áudios, um dos quais possui cerca de quatro horas de duração, aparentemente gravado em 17 de março deste ano, e traz uma conversa entre os colaboradores Joesley Batista [dono da JBS] e Ricardo Saud [diretor do grupo]. Apesar de partes do diálogo trazerem meras elucubrações, sem qualquer respaldo fático, inclusive envolvendo o Supremo Tribunal Federal e a própria Procuradoria-Geral da República, há elementos que necessitam ser esclarecidos", declarou a PGR.


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