01/08/21
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Caso Henry

Monique mandou Jairinho sair de casa e pagar contas dias antes da morte de Henry

Tânia Rêgo/ Agência Brasil
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Cinco dias antes da morte do menino Henry Borel, 4, sua mãe e seu padrasto tiveram uma grande briga, na qual Monique Medeiros chegou a dizer que o vereador Dr. Jairinho deveria sair de casa, mas continuar pagando as contas, segundo a polícia.


A informação consta em mensagens extraídas do celular da babá que cuidava do menino, Thayná Ferreira, 25, enviadas para seu noivo no dia 3 de março. A criança foi levada ao hospital na madrugada do dia 8, já em óbito e com diversas lesões pelo corpo.

Os investigadores afirmam que a funcionária suavizou a rotina de violência no apartamento mesmo em seu segundo depoimento, em abril. Por isso, ela agora está sendo investigada em um outro inquérito pelo crime de falso testemunho.

"Mas ela demonstrou claramente que estava com um sério receio por sua integridade física, e tem inúmeros familiares ligados ao investigado e sua família", disse o delegado Henrique Damasceno em entrevista coletiva nesta terça (4).

Nesta segunda (3) a polícia indiciou o casal por homicídio doloso duplamente qualificado -por emprego de tortura e pela impossibilidade de defesa do menino-, com pena prevista de 12 a 30 anos de reclusão.

Aos dois também foi imputado o crime de tortura por episódios que ocorreram em outros dias. Jairinho é suspeito de cometer duas agressões, em 2 de fevereiro e em 12 de fevereiro, o que pode lhe render de 2 a 8 anos de reclusão.

Monique foi enquadrada apenas no segundo caso, por omissão: "Aquele que se omite em face dessas condutas, quando tinha o dever de evitá-las ou apurá-las", segundo a Lei de Tortura, com reclusão de um a quatro anos. As penas de ambos podem ser aumentadas pelo menino ser criança.

O primeiro caso foi descoberto pelo segundo depoimento da babá e também por mensagens que a funcionária enviou ao seu noivo. Monique não estava em casa e só foi avisada depois, por isso não foi indiciada pelo episódio.

A babá conta que Jairinho se trancou no quarto com Henry e que, mais tarde, ele se queixou e não quis brincar com outras crianças na brinquedoteca do prédio. Na conversa extraída, diz que parecia que o padrasto estava tapando a boca do menino e que ele gritava "eu prometo", diz o delegado.

Já no segundo caso, relatado em tempo real em mensagens da funcionária para Monique, ela fala ao noivo que Henry chegou a rasgar sua blusa, se segurando em desespero para não ir para o quarto com o vereador.

A polícia ressalta que a mãe soube do ocorrido às 16h20, inclusive pelo filho em uma chamada de vídeo, mas só voltou para casa às 19h. No dia seguinte, levou o filho mancando a um hospital em Bangu, na zona oeste do Rio, dizendo que ele havia caído da cama.

Um terceiro episódio no fim de fevereiro também foi relatado pela babá, mas a polícia diz que não conseguiu elementos suficientes para embasar o indiciamento.

Questionada sobre por que Monique não foi ouvida novamente no inquérito após mudar sua versão em duas cartas escritas na prisão, o delegado voltou a dizer que ela já teve a oportunidade de falar e terá novamente, em juízo, e que não há qualquer indício de que ela estava sendo coagida.

"O que houve foi uma mentira do começo ao fim", afirmou. "Está muito bem apontado que nessas cartas existem muitos fatos que não são verdadeiros, que são mentirosos. Eu não tenho qualquer elemento que demonstre que essa mãe estava coagida, nenhum." A polícia destaca que, sabendo das agressões, ela tinha o dever de afastar o filho do agressor.

"Acabei de dar outro exemplo apontando que a posição dela estava muito longe de mulher subjugada em relação a uma rotina de violência. O que nós demonstramos com muita clareza foi que ela estava ciente de tudo que aconteceu com o filho e mesmo depois da morte, manteve uma versão mentirosa até o último momento", disse, citando a briga em que ela pediu que o namorado continuasse pagando as contas.
Folhapress
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