Os óbitos por acidentes envolvendo motociclistas cresceram vertiginosamente no Brasil de 1990 a 2006. Se em 1990 ocorreram 299 mortes com acidentes envolvendo motos, em 2006 esse número subiu para 6.734, representando um crescimento de 2.252%.
"A moto tornou-se uma opção muito interessante diante dos congestionamentos, além disso, ela é um meio de trabalho para muita gente. O fato de ser mais barata que automóvel e poder ser financiada por períodos longos também contribui para o aumento da frota", explica a autora do estudo Tendência de Acidentes de Transporte Terrestre segundo porte populacional dos municípios Brasil, 1990 a 2006, Marli Silva Montenegro, que trabalha na Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde.
A taxa de óbitos por acidentes com moto subiu de 0,01/100 mil hab. em 1990 para 4,6/100 mil hab. em 2006 nas cidades com menor porte populacional (até 20 mil habitantes). Nas cidades com maior porte populacional (acima de 500 mil habitantes), esse índice foi de 0,2/100mil habitantes em 1990 para 2,6/100 mil habitantes em 2006. Dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde mostram que, em relação a óbitos em decorrência de acidentes de transporte terrestre, esse tipo de veículo está em quarto lugar.
Os acidentes de transporte terrestre são a segunda causa de morte por causas externas, correspondendo a 28%. "A conseqüência disso são altos custos para a sociedade, impactos sociais e psicológicos para suas vítimas e familiares", diz Marli
ÓBITOS POR ACIDENTE x NÚMERO DE HABITANTES - Em 1990, as mortes por acidentes de trânsito eram mais freqüentes nas cidades com maior porte populacional (mais de 500 mil habitantes). Nesses municípios a taxa era de 26 mortes/100mil hab, depois de 1998 com a implantação do Código de Trânsito Brasileiro (CTB) a situação se inverteu e os óbitos diminuíram. Em 2006, a taxa nessas cidades caiu para 15,8 mortes/100 mil habitantes.
Nas cidades com menos de 20 mil habitantes, o comportamento foi oposto. A taxa subiu de 13 mortes/100 mil hab. em 1990 para 19,7/100 mil hab. em 2006. "Esse comportamento pode ter acontecido porque nas grandes cidades a fiscalização é mais rigorosa e o trânsito é mais lento, com isso os acidentes são mais leves e as mortes menos frequentes. Enquanto nas cidades pequenas ocorre um afrouxamento na fiscalização do CTB e com a possibilidade menor de punição, as infrações aumentam. Além disso, a frota cresce a cada dia", explica Marli.