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Reservatório de Três Marias pode chegar ao fim do ano com 5% de sua capacidade

Agência Estado
29 jan 2015 às 22:39

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O reservatório da usina hidrelétrica de Três Marias, na região central de Minas, pode chegar ao fim do ano com apenas 5% de sua capacidade caso não aumente o índice de chuva na área. Segundo a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), o nível nesta quinta-feira era de 10,4% e o governador do Estado, Fernando Pimentel (PT), afirmou que o uso da água da represa terá que ser "controlado" para que não se esgote a capacidade útil do reservatório.

A usina está instalada no rio São Francisco e, além da geração de energia, a água da represa é usada, por exemplo, para a agropecuária ao longo do leito, inclusive no Jaíba, um dos maiores projetos de irrigação do mundo que funciona no norte de Minas. Ontem, Pimentel sobrevoou o reservatório e constatou que a situação é "grave". E tende a piorar, já que o departamento meteorológico da Cemig prevê pouca chuva ao longo do ano. "Isso significa que o uso vai ter que ser muito controlado", avaliou o governador. Em novembro do ano passado, o nível útil da represa já havia chegado a 2,57%, índice mais baixo da história da hidrelétrica, construída em 1962. Desde então, o volume do reservatório aumentou, mas, neste período, o nível mais alto foi 10,59%, registrado no último dia 12.

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Para evitar o esvaziamento total da represa no fim do ano passado, apenas duas das seis turbinas estavam funcionando em Três Marias. A usina tem capacidade instalada de geração de 396 megawatts por hora (MW/h), mas hoje, segundo a Cemig apenas uma turbina - que gera até 66 MW/h - está ativa. O presidente da empresa, Mauro Borges, que acompanhou o governador na visita, ressaltou que o "grande foco" no momento é o "abastecimento de água". Mas, segundo Borges, a possibilidade de um colapso no fornecimento de energia é "praticamente zero" por causa da atuação "extremamente eficiente" e do "forte planejamento nacional" do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). E afirmou que a previsão de o reservatório de Três Marias chegar a 5% não afeta o sistema. "Estamos preparados para poder usar de uma forma absolutamente racional o reservatório e chegar ao nível de 5% dentro de todos os parâmetros de previsibilidade possíveis nesse momento", disse.


A crise hídrica afeta praticamente todo o Estado e o governo já havia adiantado que, caso o consumo de água não seja reduzido em pelo menos 30%, em no máximo quatro meses haverá racionamento. Mas, de acordo com Pimentel, antes disso já deve ter início a cobrança pela Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) de uma sobretaxa para quem ultrapassar o consumo médio do ano passado. "Não temos como aumentar a captação e a vazão no sistema de abastecimento no curto prazo. No caso da região metropolitana de Belo Horizonte, estamos com obras que vão ser aceleradas na captação do rio Paraopeba", disse.

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Na quarta-feira (28), o governador se reuniu com a presidente Dilma Rousseff e, segundo Pimentel, recebeu a promessa de ajuda do governo federal para o projeto, orçado em R$ 693 milhões e já iniciado no governo anterior. Porém, a previsão do Executivo mineiro - que ficou de enviar projetos para a União até o fim de fevereiro -, é de que a obra seja concluída apenas em novembro, na estimativa mais otimista. "Até lá, temos de reduzir o consumo. Temos prazo de dois a três meses para a redução fazer efeito. Se não houver (redução), vamos para medidas mais severas como rodízio, racionamento e o que for necessário", concluiu Pimentel.


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