Apesar de ajudarem no tratamento da obesidade, as canetas emagrecedores também trouxeram efeitos colaterais importantes e que devem ser levados em conta pelos pacientes, como a falta de energia, mau hálito, flacidez da pele e perda de massa muscular.
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Esses sintomas, entretanto, não são inevitáveis: podem ser prevenidos com acompanhamento médico, reposição individualizada de vitaminas e minerais, alimentação rica em proteínas e exercícios de força, conforme orienta a médica nutróloga Giovanna Spagnuolo Brunello, formada pela UEL (Universidade Estadual de Londrina) e pós-graduada em nutrologia pelo Hospital Israelita Albert Einstein
“O sucesso das canetas à base de agonistas do GLP-1 mudou o tratamento da obesidade ao promover perda de peso significativa e melhora metabólica. No entanto, a redução intensa do apetite pode levar muitos pacientes a ingerirem menos proteínas, vitaminas e minerais do que o necessário, favorecendo sintomas como cansaço persistente, deficiência nutricional, queda na qualidade da pele e diminuição da força física”, ressalta Brunello.
De acordo com a médica, a orientação de entidades como a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia e a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica é clara: o medicamento deve ser parte de um plano terapêutico completo, nunca uma solução isolada.
Segundo a médica, a falta de energia costuma ser um dos primeiros sinais de que o organismo está recebendo combustível insuficiente. “Em vez de simplesmente comer menos, o ideal é priorizar refeições pequenas, porém densas em nutrientes, com proteínas magras, frutas, verduras, leguminosas e gorduras saudáveis. Além disso, exames periódicos permitem identificar deficiências de vitamina D, vitamina B12, ferro, magnésio e outros micronutrientes, possibilitando uma reposição personalizada quando houver indicação clínica.”
Outro efeito frequentemente percebido é o chamado “rosto do emagrecimento”, caracterizado pela perda de sustentação facial e aspecto envelhecido da pele. A especialista explica que o medicamento não destrói colágeno diretamente, mas o que ocorre é uma perda acelerada de gordura corporal e, muitas vezes, de massa magra, reduzindo o suporte dos tecidos. “Para minimizar esse processo, é fundamental garantir ingestão adequada de proteínas, vitamina C, zinco e outros nutrientes envolvidos na síntese de colágeno, sempre sob orientação profissional”, diz.
A preservação muscular merece atenção especial. Evidências científicas mostram que parte do peso perdido pode corresponder à massa magra quando não há estratégia de proteção muscular. Por isso, a recomendação é associar obrigatoriamente o tratamento ao treinamento de resistência — como musculação ou exercícios com carga — e a uma ingestão proteica compatível com as necessidades de cada paciente. “Em idosos e pessoas com maior risco de sarcopenia, esse cuidado torna-se ainda mais importante.”
O mau hálito, por sua vez, geralmente está relacionado à baixa ingestão alimentar, à desidratação e ao aumento da produção de corpos cetônicos durante o emagrecimento. A nutróloga ressalta que hidratação adequada, consumo regular de proteínas e fibras e uma alimentação equilibrada ajudam a reduzir esse desconforto. “Emagrecer com saúde significa preservar músculos, energia e qualidade de vida. O objetivo não é apenas perder peso, mas perder gordura mantendo um organismo forte e nutrido”, conclui a especialista.