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Instituto Nacional de Meteorologia

Chuvas podem chegar perto do normal nos próximos meses, se La Niña deixar

Phillippe Watanabe - Folhapress
01 set 2021 às 11:27
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 O país enfrenta secas em diversas áreas, o que tem afetado a produção energética, a agropecuária e, consequentemente, a economia como um todo e o dia a dia dos brasileiros. Nos próximos meses, a previsão é de chuvas dentro do normal, mas o fenômeno conhecido como La Niña pode enfraquecer essa boa notícia.

Os dados de precipitação do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) para os próximos três meses apontam períodos de chuvas somente um pouco abaixo da média em partes do Norte, no Centro-Oeste, no Sudeste e no Sul.

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Para setembro, em particular, espera-se o regime de chuvas normal na maior fatia do Brasil. Em parte do Centro-Oeste -região importante para o agronegócio brasileiro-, no Norte, em Minas Gerais, no Espírito Santo e no Rio de Janeiro, as chuvas no mês ficam um pouco abaixo da média.

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Na região Sul, por outro lado, estados como Rio Grande do Sul e Santa Catarina devem ter precipitação um pouco acima do usual para o mês.


Esse quadro de quase normalidade, porém, pode ser alterado pela La Niña, dependendo de sua intensidade. A Noaa (Agência de Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos) soltou em agosto um alerta indicando haver condições favoráveis para El Niño ou La Niña nos próximos seis meses.

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O fenômeno La Niña consiste num esfriamento anormal da água superficial do oceano Pacífico Equatorial. No Brasil, o efeito disso é sentido de modo diferente dependendo da região. No Norte e no Nordeste, é comum haver níveis de chuva acima do normal. Já do Centro para o Sul, a precipitação costuma ficar abaixo do padrão.


"Tem que ver, a partir de outubro, se La Niña vai influenciar de forma neutra, fraca ou forte", diz Cleber Souza, meteorologista do Inmet. "Se ela for fraca, não vai influenciar muito. Mas, se for de moderado a forte, pode influenciar a ter menos chuvas."


O fenômeno El Niño, ao contrário de La Niña, esquenta a superfície do oceano Pacífico. Com ele, a precipitação abaixo do normal ocorre em partes do Norte e Nordeste.


Segundo Souza, "faz mais de dois anos que não chove bem" em algumas regiões do país. "Se começar a chuva em setembro e chover normal, a gente pode sair um pouco dessa crise."


A situação das reservas no país é preocupante. Somente no mês de agosto, o nível dos reservatórios das hidrelétricas no Sul caiu mais de 17 pontos percentuais e chegou a 29,2% de sua capacidade de armazenamento de energia na última quinta-feira (26).


Essa situação ainda é mais positiva do que a encontrada no Sudeste e no Centro-Oeste, que têm 22,3% da capacidade -essas regiões perderam pouco mais 3 pontos percentuais no mês.


Com os níveis reduzidos nessas regiões, o CMSE (Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico) flexibilizou restrições à operação de hidrelétricas do São Francisco, que passaram anos respeitando limites máximos de vazão para recuperar os níveis perdidos na grave estiagem que teve início em 2013.


A situação no Nordeste é um pouco mais confortável. Os reservatórios da região estão pouco acima de 50%.


O cenário da pior crise hídrica do século fez subir a conta de energia, que pode aumentar ainda mais. Os alarmes da situação crítica têm sido soados há meses pelo ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico).


O impacto energético da seca não é o único. Uma das principais rotas de escoamento fluvial do país já tem suas operações comprometidas pela situação. Os barcos que passam pela hidrovia Tietê-Paraná não conseguem operar com plena capacidade, por causa do menor volume de água.


A seca também afeta o agronegócio e, consequentemente, preços de mercadorias.


Em São Paulo, levanta alerta a situação do sistema Cantareira, que abastece a capital e cidades da Grande São Paulo. Na sexta-feira (27), o reservatório estava com 37% da sua capacidade.

"Se não vierem chuvas, a gente deve ter problemas no futuro", disse Emerson Martins Moreira, analista de sistemas da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), durante promovido pelo IEA-USP (Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo).

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