Comportamento

Entenda por que as redes sociais estão com perfis de "retratos Anos 1980"

08 set 2026 às 08:38

Se você abriu o, Facebook, Instagram, o TikTok ou o X nos últimos dias, certamente cruzou com fotos de amigos exibindo cabelos volumosos com muito laquê, blazers com ombreiras estruturadas, cenários neon e a marcante textura analógica dos anos 1980. O fenômeno visual domina os feeds digitais e transforma imagens cotidianas em autênticos ensaios fotográficos de estúdio do passado.


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O grande impulsionador dessa onda é a popularização das ferramentas de inteligência artificial generativa. Ao contrário de febres anteriores que exigiam o download de novos aplicativos suspeitos, a versão atual roda diretamente em plataformas consolidadas como ChatGPT e Google Gemini. Os usuários realizam o upload de uma foto atual e solicitam à IA que reconstrua o cenário e as vestimentas, mantendo intactas as feições do rosto.


Esse movimento combina a nostalgia estética da década de 1980 com a alta personalização do conteúdo digital que IA permite com resultados ultrarrealistas em poucos segundos. Abaixo, veja como fazer isso e também fique de olho em possíveis questões de privacidade de dados envolvendo esses tipos de modificação em apps de filtros.                        


Passo a passo para criar sua versão 1980


Criar sua versão anos 1980 sem instalar aplicativos adicionais é um processo rápido. A forma mais segura envolve o uso direto do ChatGPT (com DALL-E) ou do Google Gemini.


1. Acesse o ChatGPT ou o Gemini pelo navegador ou pelo aplicativo no celular;


2. Certifique-se de que ajustou os controles de privacidade — veja mais abaixo como fazer isso — da plataforma para evitar o uso de dados no treinamento;


3. Clique no ícone de anexo (clipe ou símbolo de imagem) e faça o upload de uma foto sua bem iluminada, de frente e com o rosto visível.;


4. Copie o prompt abaixo, cole na caixa de texto junto com a imagem enviada e envie;


A partir da imagem que enviei, recrie esta pessoa em uma foto de estúdio dos anos 1980. Mantenha os traços faciais, a identidade e as características físicas da foto original. Transforme o estilo visual: aplique um penteado volumoso típico da década de 80, roupas com cores vibrantes ou jaqueta de couro com ombreiras, luzes neon suaves ao fundo (azul e rosa) e um filtro analógico levemente granulado que lembre uma fotografia de filme antiga


5. Baixe o resultado e coloque no seu perfil da rede social deseja.


Para melhor o resultado, ajuste o tom. Se preferir um estilo corporativo clássico da época, peça "estilo retrato de anuário escolar dos anos 1980" ou "estilo executivo dos anos 1980".


Caso o resultado mude muito o seu rosto, responda ao chat pedindo para "manter a estrutura facial idêntica à foto original, alterando apenas cabelo, roupas e iluminação de fundo".


Uso de filtros e envio imagens para IA envolvem dados biométricos


Apesar da facilidade de usar chatbots conhecidos em vez de softwares terceirizados, o envio de fotos pessoais para gerar artes digitais envolve o processamento de dados biométricos faciais. O risco principal não reside no efeito gerado, mas na forma como cada empresa armazena e utiliza os arquivos originais e seus vetores de reconhecimento.


Quando o usuário faz o upload em aplicativos desconhecidos ou serviços gratuitos de edição, as políticas de privacidade podem autorizar o treinamento de novos modelos de IA com os dados recebidos. Em cenários mais graves, a cessão desses direitos pode expor o rosto do indivíduo ao uso indevido em montagens, vazamentos de bancos de dados ou criação de deepfakes.


Para se proteger de eventuais brechas de cibersegurança sem abrir mão da brincadeira, especialistas recomendam utilizar apenas plataformas com políticas claras de proteção de dados. Configurar o perfil para impedir que suas interações treinem os modelos públicos e evitar o download de aplicativos de origem duvidosa são medidas essenciais para resguardar a biometria facial na rede.


Como impedir que ChatGPT e Gemini usem suas fotos no treinamento de IA


A preocupação com o uso não autorizado de imagens pessoais em inteligência artificial tem levado usuários a buscarem maior privacidade digital. Ferramentas populares como ChatGPT e Google Gemini utilizam arquivos enviados no chat para aprimorar seus algoritmos. No entanto, é possível bloquear essa coleta diretamente nas configurações das contas.


ChatGPT

Na plataforma da OpenAI, o bloqueio do envio de imagens e textos para treinamento de IA é feito na aba de Controles de dados. O usuário deve acessar a foto de perfil, entrar em Configurações e desativar a chave Melhorar o modelo para todos. A ação garante a proteção de todos os arquivos anexados no chat.


Google Gemini

No Gemini, o ajuste exige a interrupção da Atividade das apps Gemini, acessível pelo menu do perfil ou no canto inferior da tela. Ao clicar no botão Desativar — ou escolher a remoção do histórico —, o Google interrompe a retenção de dados e impede que analistas humanos ou sistemas automáticos revisem as fotos enviadas.

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