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Durante o ano todo

Papai Noel se reinventa na pandemia e aposta em atendimento online

Isabella Menon/Folhapress
24 dez 2021 às 22:30
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Com um pente em mãos, Gesualdo D'Avola Filho, 63, mostra o cabelo e a barba para provar que seus fios grisalhos são naturais. Diferente daqueles que ele classifica como "papais noéis de Oportunidade", ou seja, que tentam encarnar o bom velhinho no fim do ano, mas, para isso, tonalizam as madeixas e usam lentes de contato coloridas.

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"Nessa época do ano, eles pintam a barba, o cabelo, fazem um monte de traquinagem, saem por aí fazendo 'ho ho ho' e dizendo que são Papai Noel", diz Gesualdo, rindo. Com ele não tem essa; tudo, afirma, é de verdade.

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Ele trabalha como Papai Noel desde o Natal de 2012. Antes da pandemia, costumava conciliar a agenda natalina com a de motorista de aplicativo. Porém, quando a crise sanitária chegou, ele preferiu se resguardar e deixou a Uber de lado.


Mesmo com o avanço da vacinação e a queda no número de contaminações por Covid-19, Gesualdo viu outro empecilho para retomar os volantes: a alta no preço da gasolina. "Não estava valendo a pena, então me reinventei e agora sou Papai Noel 365 dias no ano."


Mas por que que alguém iria contratá-lo em meados de abril, por exemplo? Ele diz que criança não escolhe data para ser desobediente. "A mãe quer o ano todo que a criança largue a fralda, largue a chupeta, se ajeite bem", diz. Para ele, o Papai Noel tem o dom de ser uma pessoa rígida e ao mesmo tempo em que é o bom velhinho.

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Agora, Gesualdo faz vídeos personalizados o ano inteiro. Basta enviar para ele o nome e a idade da pessoa que receberá a gravação, que é gratuita. Mas ele encaminha os dados de uma conta para a pessoa poder transferir qualquer quantia, que será revertida em presentes para crianças carentes.


A renda dele vem de contratos com empresas. E ele avisa: "Sou um dos papais noéis ativos mais caros do mercado". Uma diária custa, no mínimo, R$ 3.000.


Trabalhar em shoppings não é sua praia. Ele diz que papais noéis são mal pagos e não recebem respeito dentro dos centros comerciais. "Quando um amigo precisa de uma folga, eu até faço, mas não gosto", afirma.


Nestes dias 24 e 25 de dezembro, vai realizar entregas em pelo menos oito casas.


Este ano promete ser melhor que 2020. "Está mais equilibrado", afirma Gesualdo, que contou com a ajuda financeira da filha durante os meses de maior aperto. "Agora, eu vou pagar tudo que ela me emprestou com as entradas do Natal."


Gesualdo aponta outras semelhanças com o Papai Noel, além da aparência. Como o fato de ter nascido dia 7 de dezembro, dia seguinte ao da morte de São Nicolau. "Sou sucessor dele", brinca.


Papai Noel cibernético Bancar o Papai Noel no Brasil tem um inconveniente óbvio:o traje completo do bom velhinho não combina com o verão tropical. Mesmo quando chove, a noite de Natal é quente, abafada.


Foi pensando nisso que Sergio Santos, 71, colega de profissão de Gesualdo, decidiu criar o site Papai Noel Online, em 2019.


Antes, ele se aventurou como bom velhinho em shoppings, mas a carga horária cansativa e as roupas pesadas fizeram com que ele repaginasse a comunicação do Papai Noel com os pequenos.


"Nos shoppings, nós ficamos, normalmente, em um cantinho quente, e o Papai Noel ainda precisa falar alto. Esso é muito cansativo."


A ideia, hoje, parece simples, mas pouco tempo atrás parecia estranho pagar R$ 140 por um vídeo personalizado de 1 minuto.


Porém, com a pandemia da Covid-19, quando as relações pessoais e profissionais se deslocaram para o ambiente virtual, Sergio saiu na frente. "Quando todo mundo percebeu que o Papai Noel poderia migrar para o celular e poderia ser online, eu já tinha um ano de experiência", diz.


Quem quiser contratar os serviços natalinos dele, deve mandar uma mensagem no WhatsApp, que é respondida por um de seus ajudantes. "Aqui é o duende do Papai Noel. Ele está na fábrica com outros duendes preparando tudo para o Natal", diz a mensagem automática.


Interessados podem adquirir vídeos personalizados, em que diz frases como "menino, você precisa arrumar melhor seu quarto", ou então lives exclusivas, que duram 15 minutos e custam R$ 160.


Sua relação com o Papai Noel começou em 2005, quando foi chamado por um amigo para participar do Natal em um orfanato. Ele conta que começou a ler e pesquisar sobre a figura do Noel. "Ele não é um juiz implacável, é um bonachão que tem sempre um olhar generoso, principalmente, com as crianças", diz.


Mas foi só em 2012 que decidiu se profissionalizar. Durante a maior parte do ano, ele se dedica à escrita de crônicas. Só no último trimestre encarna o bom velhinho.


"A magia começa em outubro, sabe aquele Clark Kent que entra em uma cabine telefônica e sai como Super-Homem? Brinco que eu entro na cabine e saio como Papai Noel."

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