Economia

Aneel descarta falta de energia

10 mar 2001 às 18:16

O diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), José Mário Abdo, procurou tranqüilizar ontem o mercado nacional ao afirmar que os investimentos em geração de energia são crescentes. Para este ano estão previstos novos 6 mil megawatts no sistema, quase o dobro que seria o mínimo necessário. O otismismo de Abdo confronta com análises feitas por especialistas do setor, que prevêem falta de energia caso chova pouco na região Sudeste nos próximos meses.

Hoje o Brasil tem 70 mil megawatts em energia, apenas 20 mil a mais do que havia em 1994. Teria de ter pelo menos 12 mil MW (uma Itaipu) a cada três anos. O problema é que há uma demanda que cresce quase o dobro do que é investido em geração. "Nos anos 90 houve um declínio nos investimentos do setor estatal em energia elétrica. Agora o setor privado está retomando os investimentos", afirmou.


O diretor da Aneel lembrou que, em 94, havia 56 obras paradas no setor energético, sendo 23 usinas. Abdo esteve ontem em Curitiba para participar do Seminário de Energia Elétrica Privatização e Regulação Econômica, evento promovido pelo Instituto Nacional de Defesa do Consumidor (Idec). Ele falou sobre a função de fiscalização e mediação da Aneel e ainda sobre privatização.


Para provar que os grupos privados estão interessados em geração, Abdo citou como exemplo os últimos leilões para concessão de áreas para construção de hidrelétricas e redes de transmissão. Em julho do ano passado, foram leiloados 3 mil quilômetros de linhas por R$ 2,6 bilhões. Em novembro foram 11 hidrelétricas a serem construídas. Dez delas tiveram compradores. A Aneel vai permitir a construção de 18 novas hidrelétricas ao longo deste ano.

O maior problema para o governo federal e Aneel é fazer deslanchar o programa prioritário para construção de usinas termelétricas. Foram lançados cerca de 50 projetos, mas somente 12 estão prosperando. Justamente aqueles onde há investimentos da estatal Petrobras. A iniciativa privada, com exceção de poucas como a Enron e a El Paso, tem feito uma série de exigências e se retraiu.


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