Economia

Deputados debatem revelações da Folha sobre a Copel

19 nov 2001 às 20:51

As matérias publicadas pela Folha do Paraná/Folha de Londrina, no domingo, reacenderam as críticas à privatização da Copel na Assembléia Legislativa. A bancada de oposição subiu nesta segunda-feira à tribuna para questionar a legalidade da formação das parcerias feitas pela estatal. "Qual foi a autorização legislativa para criar a Tradener, com capital social de R$ 10 mil?", questionou o deputado Cézar Silvestri (PPS), que subiu à tribuna para pedir a regularização das parcerias.

Na avaliação de Silvestri, o Palácio Iguaçu teria que encaminhar mensagens pedindo autorização para firmar os contratos. "Teria que vir mensagem para regularizar essa situação, caso a caso." Os adversários do Palácio Iguaçu na Assembléia criticaram ainda o fato de as empresas parceiras estarem nas mãos de ex-funcionários da Copel ou pessoas ligadas ao grupo que detém o poder. A oposição acredita ainda que as altas multas impostas no caso de rescisão dos contratos atrapalharam o processo de venda. O leilão fracassou duas vezes.


O deputado Luiz Carlos Zuk (PDT) criticou os R$ 150 milhões em créditos não computados de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). Essa é considerada uma das principais irregularidades na avaliação da empresa.


O vice-líder do governo na Casa, Ademar Traiano (PSDB), rechaçou as declarações da oposição. Segundo ele, o plenário da Assembléia aprovou, em 1997, autorização criando condições para que a Copel possa ter participação em empresas privadas. "Fui eu quem relatou essa matéria. As parcerias estão dentro da lei", disse. Traiano não soube, no entanto, explicar qual lei foi essa. O governo sustenta a mesma versão. Divulgou, através de nota oficial, que as parcerias obedecem a leis nacionais e estaduais e estão respaldadas em autorizações legislativas. A autorização para vender a Copel veio um ano depois, em dezembro de 1998.


Sobre o fato de alguns amigos do grupo no poder serem parceiros da estatal de energia, Traiano disse que não há ligação direta entre essas pessoas e o governo. "A Vera Gulin (mulher do empresário Donato Gulin, sócio da Tradener) não tem cargo no governo. Donato Gulin também explora um serviço de transporte coletivo em Curitiba (o empresário dirige a viação Cidade Sorriso). Vera Gulin aparece como sócia-gerente da Construtora Mogno Ltda. Esta empresa, junto com a Copel, constitui a Escoeletric (que atua na montagem de máquinas e usinas).


O deputado José Maria Ferreira (PDT) lembrou que o Fórum Popular Contra a Venda da Copel impetrou diversas ações na Justiça na tentativa de suspender pelo menos parte desses contratos.


Questionado sobre as parcerias, o presidente da Assembléia, Hermas Brandão (PSDB), preferiu ser cauteloso. Disse apenas que o Tesouro do Estado não pode ser prejudicado. "O preço da empresa não pode ser rebaixado."

A discussão em torno da Copel esquentou os ânimos no plenário. Quando José Maria Ferreira (PDT) começou a criticar as parcerias feitas pela Copel, o governista Carlos Simões (PTB) decidiu revidar e disse que o pedetista deveria tomar ''maracujina''. Ferreira pediu que a declaração de Simões fosse registrada. Élio Rusch (PFL), que presidia a sessão no momento, pediu calma aos deputados, que trocavam ofensas.


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