O governo Fernando Henrique Cardoso deverá gastar no seu segundo mandato (1999/2002) o equivalente a um ano inteiro do Orçamento da União apenas com o pagamento de juros e amortizações da dívida pública interna e externa.
A conclusão faz parte de pesquisa do Inesc (Instituto de Estudos Socioeconômicos), uma ONG que se dedica aos estudos dos gastos públicos, especialmente da área social, a partir de dados corrigidos pela inflação do Siafi (Sistema Integrado de Administração Financeira).
No segundo mandato de governo FHC, serão gastos o equivalente a R$ 405,361 bilhões em pagamentos de juros e amortizações da dívida pública. Deste total, R$ 289,5 bilhões foram pagos entre 1999 e 2001 e outros R$ 115,8 bilhões estão previstos no Orçamento de 2002.
Segundo o assessor técnico do Inesc, Austregésilo Melo, programas importantes para a população de baixa renda, como de saneamento básico e saúde, acabam ficando de lado para possibilitar o pagamento de juros e amortizações da dívida pública.
O assessor afirma que o levantamento mostra que, de todos os recursos que o governo investir no país - sejam em programas sociais, gastos com pessoal, obras - nesses quatro anos, cerca de 25% retornará aos bancos e organismos internacionais em forma de pagamentos de juros e encargos da dívida.
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