Os empresários do setor de avicultura do Paraná já estão se preparando para conquistar novos mercados para compensar a perda do mercado argentino. Já é consenso entre eles que o pacote argentino vai reduzir bastante as compras de alimentos do Brasil, principalmente de frango e suínos. O setor automotivo também será bastante afetado com a desaceleração da demanda naquele país, avaliou o economista Luiz Eduardo Sebastiani, do Conselho Federal de Economia.
Para o empresário Paulo Muniz, presidente da Associação dos Abatedouros e Produtores Avícolas do Paraná (Avipar), o setor já vinha enfrentando uma redução drástica nas vendas para a Argentina, desde que o país adotou uma sobretaxa para as importações de frango do Brasil.
As exportações brasileiras para a Argentina, que oscilavam ao redor de 60 mil toneladas por ano iria cair para 30 mil toneladas este ano, uma redução de 50%. "Agora com a edição deste pacote econômico, a queda nas exportações para a Argentina vão cair mais ainda", prevê.
Muniz acredita que apenas as grandes empresas que operam no Paraná como Sadia, Ceval de Jacarezinho e Big Franco, que já mantêm unidades industriais naquele país, vão continuar operando. Mesmo assim, poderão decidir pela redução nas atividades se a recessão no consumo for muito forte, como se espera.
Para as demais empresas, Muniz diz que este é o momento ideal para se conquistar o mercado europeu. Segundo ele, os empresários brasileiros devem ser mais agressivos e ocupar o vácuo deixado pela queda do consumo de carne vermelha em função das doenças do mal da vaca louca e agora da febre aftosa. "Um dos alvos para se ampliar mercado é o leste europeu, o mercado asiático e consolidar a participação no Oriente Médio", aponta o empresário.
Para o economista Luiz Eduardo Sebastiani, o pacote argentino vai provocar turbulências na economia brasileira, à medida que as exportações de produtos brasileiros serão afetadas. Além disso, deverá influenciar diretamente no mercado financeiro do Brasil devido à interligação do sistema financeiro dos dois países. No curto prazo, será inevitável a redução nas compras.
Outro agravante que pode complicar o cenário econômico são as consequências da crise política na Argentina, que pode provocar mais instalabilidade no mercado financeiro. O economista salienta que o mercado financeiro brasileiro vai ficar de olho no vizinho argentino, porque o mais se teme caso o pacote econômico não tenha sucesso é o calote da dívida argentina.