Economia

EUA não privatizou hidrelétricas

09 mar 2001 às 10:49

A hidroenergia nos Estados Unidos é considerada fundamental do ponto de vista estratégico. O país tem uma capacidade instalada total para produção de 850 mil megawatt/ano. Deste, 90% vêm de termelétricas, pertencentes à iniciativa privada. Mas os outros 90 mil megawatt/ano são produzidos por usinas hidrelétricas estatais.

Apesar de representar uma parcela pequena da energia dos Estados Unidos, a produção de hidroenergia norte-americana é maior que a brasileira. Atualmente, a capacidade instalada no Brasil é de 60 mil megawatt/ano. Desse total, mais de 90% são gerados em hidrelétricas.


"O governo americano considera as bacias hidrográficas uma questão de segurança nacional e não aceita repassar as hidrelétricas para a iniciativa privada", lembra Joaquim Carvalho, do grupo Ilumina, uma organização que reúne profissionais ligados à área energética.


"A população brasileira não conhece esses detalhes, por isso aceita tão facilmente o discurso de desestatização defendido pelo governo", diz. Esse assunto é tão importante para o governo norte-americano que 20% das hidrelétricas do país pertencem ao exército. "A venda das hidrelétricas brasileiras é imposta pelo Banco Mundial ao Brasil, mas os próprios norte-americanos não aceitam isso", diz. Para Carvalho, a única justificativa ao programa de privatização da energia elétrica é o interesse de especuladores nos altos lucros da usinas estatais.


O programa de desestatização do sistema de energia prevê investimentos da iniciativa privada na construção de termelétricas. O objetivo seria usar o gás natural comprado da Bolívia como alternativa energética. Foram projetadas 49 termelétricas para o País, que seriam construídas com investimentos privados. Apenas 15 projetos estão em andamento. Desses, 13 têm como investidor majoritário a Petrobras. "Os especuladores não querem investir no programa de privatização brasileiro e uma empresa estatal, a Petrobras, está construindo as usinas, isso é uma incoerência sem tamanho."

De acordo com Carvalho, o que a iniciativa quer é comprar as hidrelétricas estatais, que são altamente lucrativas e não exigem grandes investimentos iniciais, como aconteceria com a construção de termelétricas. "O processo é meramente de transferência de um patrimônio que pertence aos consumidores, que pagaram através das tarifas a implantação do sistema, para especuladores privados", conclui.


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