Os funcionários da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) em todo o Brasil fazem assembléias hoje para decidir se retornam ou não ao trabalho. Eles entraram em greve por tempo indeterminado na quarta-feira, para pressionar a direção do órgão a apresentar uma proposta de reajuste salarial. A Embrapa fez uma proposta ontem, oferecendo aumento de 2%. Os trabalhadores queriam reajuste de 20%.
Segundo o presidente local do Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Instituições de Pesquisa e Desenvolvimento Agropecuário (Sinpaf), Antônio Maciel Botelho Machado, deve ser decidido pelo fim da greve. "Na minha opinião, acho que vamos decidir pela volta ao trabalho e aí vamos negociar o reajuste", afirmou. Segundo Machado, a proposta da Embrapa não vai ser aceita pelos funcionários do jeito que foi apresentada. "É muito aquém do que a gente pediu, é possível que os funcionários dêem risada disso", criticou. "Nós sabemos que a Embrapa tem uma folga orçamentária de 4,5%, e se o aumento fosse próximo disso poderíamos até pensar, mas 2% é muito pouco", acrescentou.
Machado explicou que os funcionários decidiram pela greve porque os sindicatos regionais estavam esperando a proposta da Embrapa há cerca de dois meses sem receber retorno. "O objetivo da greve era pressionar por uma proposta, e conseguimos", disse. Na Embrapa Florestas, unidade com sede em Colombo, Região Metropolitana de Curitiba, trabalham 160 pessoas. No Brasil inteiro, são 9 mil, de acordo com dados do Sinpaf.
Os trabalhadores da Embrapa reivindicavam um reajuste de 20%, liberação dos dirigentes sindicais para trabalhar nos sindicatos da categoria, pagamento de horas extras e adicional noturno, condições para contratação de funcionários terceirizados, estagiários e bolsistas, manutenção do quadro de trabalhadores, auxílio educação e adicional para dedicação à pesquisa.