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ECONOMIA

Lojistas de Londrina comemoram aquecimento nas vendas de Natal nesta reta final

Simoni Saris - Grupo Folha
22 dez 2025 às 09:43

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Foto: Celso Felizardo
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Uma combinação de fatores econômicos positivos deve ajudar a impulsionar as vendas neste Natal. Na reta final para a melhor data do varejo no ano, os lojistas estão animados com os resultados registrados até o momento e se o ritmo de compras se mantiver nestes últimos dias de campanha, a expectativa é de um bom crescimento ante a mesma data do ano passado, de cerca de 10%.

O último fim de semana de Natal teve movimento intenso no comércio de rua de Londrina. Neste domingo, que teve o comércio com as portas abertas, as lojas da região central tiveram alta procura durante todo o dia. Várias famílias aproveitaram uma das últimas oportunidades para fazer as compras com tranquilidade, durante a folga. Marlene Costa aproveitou para garantir todos os presentes. "Não gosto de fazer compra correndo, porque sempre pesquiso preço. Como vou comprar pra mim e presentes para família toda, o domingo está sendo ótimo", elogiou a iniciativa.


Com os índices de inflação recuando e o mercado de trabalho aquecido, a população aumenta o seu poder de compra e o primeiro setor a perceber a melhora no bolso do consumidor é o comércio. Supermercados, lojas de vestuário, calçados, brinquedos e até materiais de construção estão com as vendas aquecidas neste período.

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O Brasil está com uma taxa de desemprego baixa, de 5,4%, segundo a PNAD Contínua, do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), e o índice no Paraná é ainda menor, de 3,5%. “A massa salarial de trabalhadores com carteira assinada aumentou bastante. Estamos com um número recorde de CLTs contratados, acima da média nacional”, destacou o economista e assessor econômico da Fecomércio PR (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Paraná), Lucas Dezordi.


Soma-se à inflação e ao alto nível de empregabilidade um outro fator impulsionador do comércio, a queda do dólar, que contribuiu para manter estáveis os preços de alguns produtos, como os eletroeletrônicos. “Se a gente for observar, o dólar começou o ano cotado a R$ 6,20 e está terminando o ano em R$ 5,40, R$ 5,50. Também tivemos uma boa safra e os preços dos alimentos estão baixando”, avaliou o economista.


Imagem ilustrativa da imagem Na reta final do Natal, aquecimento nas vendas anima os lojistas
                                                                Foto: Celso Felizardo

Com o pagamento do 13º salário aos trabalhadores, uma boa parte desse dinheiro extra em circulação vai para o varejo. A CNC (Confederação Nacional do Comércio) estima em R$ 71 bilhões o faturamento do setor no Natal de 2025, o melhor resultado dos últimos dez anos. “São números positivos que a gente está desenhando para a economia, para o Natal e para o comércio como um todo. A gente está bem otimista em relação ao desempenho da economia brasileira”, disse Dezordi.


A Fecomércio PR divulgou no início do mês a sondagem sobre a perspectiva de consumo dos paranaenses neste Natal e o resultado foi bastante positivo. Realizado em parceria com o Sabrae/PR, o estudo indicou que 67,2% da população do Estado pretendiam comprar presentes neste ano, resultado acima do observado na sondagem do ano passado, quando o índice foi de 66,5%. Nas regiões Sul e Sudoeste do Estado, a intenção de compra era maior, com 71,5%. A Região Norte registrou a menor parcela de consumidores dispostos a gastar com presentes, 56,6%. Na pesquisa do ano passado, 58,9% da população do Norte paranaense afirmaram que iriam às compras.


O tíquete médio previsto no Paraná é de R$ 495,76. A Região Oeste teve o melhor resultado, com R$ 550,27 e a Região Norte registrou o valor mais baixo, de R$ 404,17, 18,47% abaixo da média estadual e 26,55% menor do que no Oeste.


MAIS BUSCADOS


Entre os itens mais procurados pelos consumidores da região de Londrina estão vestuário (60,0%), brinquedos (42,4%), calçados (21,2%) e perfumes e cosméticos (14,1%).


A Acil (Associação Comercial e Industrial de Londrina) também encomendou uma pesquisa de Natal, mas os entrevistados foram os lojistas de diferentes segmentos do comércio. Desenvolvido pela Litz Estratégia e Marketing, o estudo revelou o otimismo dos varejistas. Entre os ouvidos, 64% mantinham expectativa positiva para as vendas, sendo 21,3% muito otimistas e 42,7%, otimistas. O grupo dos pessimistas era formado por 13,5% e 22,5% avaliaram como “neutra”. Comparado ao desempenho de 2024, 74,2% das empresas acreditavam que as vendas deste ano seriam melhores ou iguais. Entre elas, 39,3% projetavam crescimento e 34,8% esperavam estabilidade.


“Estamos bem empolgados”, disse a presidente da Acil, Vera Lúcia Antunes. “Neste ano, temos sentido dos comerciantes e varejistas que terão um percentual (de vendas) maior do que no ano passado. Os comerciantes estão mais otimistas, confiantes e o Natal no Centro, na (avenida) Saul Elkind, o (concurso cultural) Caminho das Luzes, todo esse movimento que a gente fez acaba animando o comerciante e, consequentemente, os clientes vêm. As pessoas passeiam, circulam mais e isso se reflete nas vendas.”


Proprietária da Mega Jeans, loja de vestuário que tem dois endereços na região central de Londrina, Patrícia Teló estava apreensiva em relação às vendas deste Natal porque foi um ano fraco para o comércio. “Estávamos animados, mas muito cautelosos”, comentou a empresária. Nos últimos dias, no entanto, ela viu os clientes aumentarem e agora, a perspectiva é de um resultado até 10% maior do que no Natal do ano passado.


Nas lojas de Teló o tíquete médio não é alto, fica em torno de R$ 80. Mas os ganhos, disse a lojista, vêm com o volume de vendas, que aumentou na última semana e deve se intensificar às vésperas do dia 25. “O comércio abrindo em horário diferenciado ajudou bastante.”


As lojas de brinquedos também não têm do que reclamar. Na Giramundo Girassol Brinquedos, as vendas tiveram um incremento nos últimos dias e a gestora, Juliana Paiva, acredita que essa curva ascendente é o resultado do bom relacionamento estabelecido com os seus clientes ao longo de todo o ano. Além dos brinquedos para as crianças, há muita procura também por jogos que reúnem toda a família. Paiva não abre os números, mas disse que a curva de vendas "está dentro do esperado para o planejamento que foi feito para a data" e a expectativa é de aumento nos próximos dias em razão das compras de última hora. "Estamos muito felizes."


Embora os materiais de construção não entrem nas pesquisas de intenção de compra, esse é um comércio bem movimentado no final do ano. Neste período, os grandes construtores reduzem bastante as compras e quem enche as lojas são aqueles consumidores que investem em pequenas obras e reformas. O gerente do Depósito Betel, Alecio Delalibera, atribui o movimento de dezembro ao recebimento do 13º salário. “A pessoa quer deixar a casa bonita para recepcionar os parentes na época do Natal, quer deixar a casa pintada, arrumar uma parede, é onde ele consome bastante.”


A loja, localizada na avenida Saul Elkind, na Zona Norte de Londrina, deve fechar dezembro de 2025 com alta entre 10% e 15% sobre o mesmo mês do ano anterior. “Faz uma diferença porque dá um equilíbrio nas contas. Como os grandes construtores diminuem as compras, os pequenos compensam”, disse o gerente.

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Assim como muda o público, mudam também os itens vendidos. Os materiais brutos dão lugar a tintas, massa corrida e outros itens utilizados nos acabamentos. “O que mais sai agora são os produtos para embelezar”, contou Delalibera.

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