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Mestre e doutores empreendedores: o caso Poliverde

Lucas V. de Araujo* - Colunista da FOLHA
06 set 2021 às 08:00
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Quem cursa mestrado e doutorado, na grande maioria das vezes, o faz para dar aula. Além de ser um processo natural, já que se aprende técnicas e metodologias de ensino e pesquisa, mestres e doutores no Brasil dificilmente se tornam empreendedores ou desenvolvedores de tecnologia.

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Para elaborar novas tecnologias não basta fazer pesquisa. É preciso também fazer desenvolvimento (P&D), um processo posterior à pesquisa que pressupõe a prototipação/concretização do resultado de pesquisa. Tornar-se empreendedor é ainda mais complicado, pois requer a criação de um negócio a partir do protótipo desenvolvido.

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Jonathan Baumi contrariou as duas lógicas quando criou a Poliverde. Com o apoio de um sócio, ele utilizou as pesquisas do mestrado e do doutorado em Química na Universidade Estadual de Londrina (UEL) para criar um processo que separa o nylon do elastano. Como pesquisador obteve três patentes e já caminha para a quarta. Como empreendedor percebeu que essa descoberta poderia se tornar uma inovação.


Jonathan descobriu que apenas uma única empresa no Brasil tinha tecnologia para separar as diferentes fibras sintéticas e logo pensou no potencial de mercado para a industrial têxtil, já que o nylon é uma matéria-prima essencial, porém muito cara. Além disso, Jonathan queria ajudar na resolução de um problema ambiental gravíssimo. O nylon leva 400 anos para se decompor na natureza. Todos os anos, porém, são despejadas 9 mil toneladas de resíduos têxteis apenas no aterro sanitário de Londrina.

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Esse cenário credenciaria a Poliverde a ser um sucesso imediato, mas como toda empresa nascente, as dificuldades surgiram. Além de uma parte do empresariado não ter aderido à ideia, apesar de a startup apontar uma solução ambientalmente correta, Jonathan enfrentou problemas para escalar a tecnologia, isto é, produzir em grande escala a solução que ele desenvolveu.


Incubado na UEL, a Poliverde recebeu o apoio necessário para superar os desafios da escalabilidade e buscar novos mercados. Atualmente a startup está na fase de encontrar o mínimo produto viável ou MVP em inglês. Com ele, será possível, dentre outros, estabelecer custos, estipular possível geração de caixa e outros parâmetros que são necessários para buscar novos clientes e gerar receita.


Diferente de soluções similares a de terceiros ou que se baseiam apenas em Tecnologia de Informação e da Comunicação (T.I.C), como aplicativos de venda, Jonathan criou uma tecnologia sustentável baseada em princípios químicos. É dos tipos de inovação mais complexos que existe, porque é mais lento que o tradicional, necessita de laboratórios e outros equipamentos caros e de pessoas que tenham gosto pela pesquisa e pelo empreendedorismo.


O Norte do Paraná é celeiro de tecnologia porque temos instituições públicas de pesquisa, além de entidades como cooperativas e associações, que apoiam iniciativas assim. Que possamos ter muitos outros Jonathan, que uniu pesquisa, desenvolvimento e inovação na construção de uma sociedade mais sustentável ;)


*Lucas V. de Araujo: PhD e pós-doutorando em Comunicação e Inovação (USP). Professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL), parecerista internacional e mentor Founder Institute. Autor de “Inovação em Comunicação no Brasil”, pioneiro na área.

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