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Pacote argentino divide opiniões

Rosana Félix - Folha do Paraná
17 mar 2001 às 18:19

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Os efeitos que o Brasil deve sofrer em decorrência do pacote anunciado pela Argentina são motivo de controvérsia entre especialistas. O coordenador da Área de Análise Conjuntural do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), Gilmar Lourenço, acredita que o país não deve ser prejudicado. Já o economista técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), Cid Cordeiro, acha o contrário.

Para Lourenço, o comércio entre Brasil e Argentina está comprometido desde janeiro de 1999, quando o governo brasileiro promoveu a livre flutuação do câmbio, e pela recessão sofrida pelo país vizinho nos últimos três anos. Ele diz que os produtos brasileiros importados pela Argentina, principalmente papel, celulose, máquinas, cigarro e combustível, já estão em um nível baixo por essas razões.


O coordenador do Ipardes até considera que o momento possa ser muito bom para a economia local. "O Brasil pode conseguir novos espaços no mercado internacional", considerou. Ele diz que é provável que isso aconteça porque a economia do Brasil está sustentada pelo mercado interno, que corresponde atualmente a 90% do Produto Interno Bruto (PIB).


Na opinião de Lourenço, a Argentina está adiando o que deve ser a solução para a crise, a desvalorização cambial. "Eles estão envolvidos com o nó do câmbio, porque para mudá-lo seria preciso alterar a Constituição Federal", comentou. Mas ele observa que se o peso argentino perdesse a paridade com o dólar, o Brasil seria muito afetado. Essa medida, segundo ele, deixaria a economia argentina mais competitiva, o que a levaria a exportar mais para o Brasil e importar menos.


Já Cordeiro, do Dieese, acha que o Brasil deverá sofrer bastante com a crise na Argentina, porque considera a economia local muito vulnerável a crises internacionais. "São as consequências dos erros cometidos entre 95 e 98, quando o governo controlava o câmbio", avaliou. Para ele, qualquer desequilíbrio no mercado internacional ameaça o financiamento para os pagamentos do déficit interno brasileiro, que hoje representa 4% do PIB.

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Porém, Cordeiro concorda com a opinião de Lourenço sobre as importações argentinas, que já estão baixas e não devem sofrer mudanças com o anúncio do pacote. "A indústria automobilística já direcionou suas exportações para outros países", exemplificou.


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