Economia

Porto de Antonina exporta carne para a Rússia

09 jul 2001 às 16:47

A privatização do terminal da Ponta do Félix e um investimento de US$ 80 milhões na operacionalização dos equipamentos culminaram na solenidade que marcou a primeira exportação de cerca de três mil toneladas de carnes congeladas pelo Porto de Antonina. O produto foi embarcado para a Rússia.

A intenção do governo do estado é agilizar as obras de expansão da Ponta do Félix, que iniciaram na semana passada e deverão ficar prontas em cinco meses, para transformar o porto num referencial neste tipo de exportação. "Não tenho dúvidas que com estes investimentos, teremos um diferencial a mais e conseguiremos competir em iguais condições com os demais portos do País", afirmou Nelson Justus, secretário de Estado dos Transportes.


Justus destacou que a privatização é o melhor caminho para a modernização dos portos. Outros terminais - de Antonina e Paranaguá - poderão ser privatizados nos próximos meses. "Estes resultados demonstram que a privatização é o melhor caminho. Mas ainda é prematuro falar em setores que poderão ser privatizados. Temos que melhorar a infra-estrutura dos portos antes de falarmos em privatização. O Paraná precisa começar a investir no litoral", salientou.


A reforma da Ponta do Félix deverá custar US$ 6 milhões em investimentos da iniciativa privada. Com as obras, o canal passará de oito para dez metros de profundidade, com 10 quilômetros de extensão e 100 metros de largura, ligando a Baía de Antonina até a Baía de Paranaguá.


Será permitido o acesso de navios de até 30 mil toneladas. Atualmente, o limite é de dez mil toneladas. Até o final de 2002, o terminal pretende estar trabalhando com capacidade máxima, atingindo 2,15 milhões de toneladas por ano. Isto representará 1% do volume exportado em todo o País.


No primeiro semestre deste ano, os terminais Barão de Teffé e Ponta do Félix apresentaram um crescimento de 982% na movimentação de mercadorias se comparado ao mesmo período do ano passado. Foram mais de 132,1 mil toneladas de madeira, fertilizantes, sulfato de sódio, frutas, sal, peças, carvão e ferro.


Rodovia - Uma das dificuldades que o Estado está enfrentando é a necessidade da construção imediata de uma estrada que ligaria o porto até a cidade. A estrada deveria ter dois quilômetros e impediria que o fluxo de caminhões pesados passasse pelo centro de municípios históricos como Antonina e Morretes.


Há dois anos, o Ministério Público conseguiu barrar a construção da estrada, com a alegação de que problemas ambientais poderiam ser gerados. "Temos que encontrar soluções para escoar a produção. Hoje passam diariamente entre 300 e 400 caminhões pelo centro. Com a reforma passarão mais de mil caminhões por dia. Onde eles transitarão?", questionou.


Nelson Justus concordou em fazer projetos alternativos para impedir danos à natureza. Ele teria uma proposta pronta e que custaria R$ 20 milhões aos cofres públicos. "Queremos fazer algo com equilíbrio e bom senso para dar uma solução sem macular a natureza", complementou.

O ambientalista Tiaraju Mesquita Fialho concordou que a estrada é necessária para o desenvolvimento do porto, mas os caminhos terão que ser debatidos com a comunidade e com os ambientalistas. Os principais riscos apontados por ele são de ocupação desordenada em áreas de conservação ambiental e garantia de sobreviência das inúmeras espécies de peixes existentes nos mangues da região. "O projeto vai ter que prever a preservação ambiental e a restrição de ocupações para que possa ser aprovado", elencou Fialho.


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