O racionamento de energia não deverá trazer vantagem para as montadoras de veículos instaladas no Paraná, Estado que está fora do racionamento. A opinião é do presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Célio Batalha, em Curitiba. De acordo com ele, o setor responde em cadeia, e por isso seria difícil fazer análises pontuais.
"Nesse momento, não temos nada que possa apontar problemas", declarou Batalha. Segundo ele, estão sendo feitos estudos para definir alternativas para que o impacto do racionamento de energia na produção automotiva seja a mais reduzida possível.
Batalha disse que antes de qualquer definição de diminuição de produção, é preciso conhecer quanto as fábricas de veículos terão que economizar. Mas ele reconheceu que o setor pode ser afetado com o racionamento. "Se as medidas aplicadas nas fábricas forem muito rígidas, afeta", afirmou.
O presidente da Anfavea também se mostrou otimista com as vendas de automóveis, mesmo com a divulgação de números da Federação Nacional das Distribuidoras de Veículos (Fenabrave), que mostrava quedas nas vendas nas primeiras semana de maio em relação ao mesmo período do mês anterior. No Paraná, a queda foi de 18% nos primeiros dez dias e de 13% nos dez dias seguintes, informou ontem o presidente da Fenabrave no Paraná, Daniel Russi Filho.
Russi disse que a Fenabrave esperava, no ínicio do ano, um acréscimo de vendas no Brasil 30% superior a 2000. Porém esse número foi revisto recentemente e deverá ser de apenas 12%. "Eu acho que em 90% dos casos (de redução de vendas) é por causa das taxas de juros", comentou. Segundo ele, cada vez que a taxa de juros Selic sobe 0,5%, o financiamento de veículos tem um acréscimo de juros de 5%. "Com a Selic a 16,25%, trabalhávamos com um percentual de 22% de juros anuais. Se aumentar 0,5%, vamos ter taxas de 25% ano ano", estimou Russi Filho.
Leia mais em reportagem de Rosana Félix, na Folha do Paraná/Folha de Londrina desta quinta-feira