A PRVias, concessionária responsável pelo lote 3 das rodovias paranaenses, confirmou que irá implementar o pedágio “free flow” em dois pontos na região de Londrina: na PR-445, em Tamarana (Região Metropolitana de Londrina), e na BR-376, em Mauá da Serra. A tecnologia, embora não seja novidade no Brasil, ainda traz muitas dúvidas.
Nesse modelo de pedágio eletrônico, a tradicional praça com cancela dá lugar a um pórtico com câmeras e sensores que realiza a cobrança sem que o motorista precise parar. Para quem usa tag (etiqueta eletrônica), o pagamento é imediato e tem desconto de 5% na tarifa básica. Os demais motoristas têm até 30 dias para pagar o valor, por meio do aplicativo da Motiva Rodovias ou pelo site pedagiodigital.com. Ainda não há confirmação do valor da tarifa, que será definida pela ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres).
De acordo com Breno Ferreira Leal, gerente executivo de Contratos da PRVias, o free flow garante maior fluidez no trânsito, já que o motorista não precisa parar. A previsão é que a obra seja finalizada no primeiro trimestre de 2026, seguida de outros 30 dias de operação assistida, sem cobrança dos usuários. “Não só a fluidez, mas também temos a questão ambiental e social”, afirma Leal, que cita menor emissão de carbono e a ausência de desapropriações para construção da estrutura.
Contudo, os motoristas precisam ficar atentos à cobrança, já que o não pagamento da tarifa no prazo estipulado caracteriza evasão de pedágio, infração sujeita à multa de R$ 195,23 e cinco pontos na CNH.
REPERCUSSÃO
O deputado estadual Tercílio Turini (MDB), que já discutiu o tema na Alep (Assembleia Legislativa do Paraná) e esteve na ANTT, junto de outros deputados, para defender que a cobrança não ocorra em áreas urbanas e conurbadas, afirma ser necessária maior clareza sobre a tarifa. A FOLHA confirmou que a PRVias adotará cobrança única, apenas quando o veículo passar pelo pórtico, e não por quilômetro rodado, como ocorre em outras regiões do país.
Apesar de não haver previsão de novos pórticos mais próximos a Londrina, Turini defende que as cobranças fiquem fora dos perímetros urbanos, para evitar prejuízo à população. Além da PR-445, administrada pela PRVias, a BR-369 também passa por Londrina e será pedagiada no contrato de concessão do lote 4, arrematado pela EPR (Empresa Paranaense de Rodovias).
“Temos um projeto de lei, que está parado, que proíbe a cobrança de pedágio dentro da zona urbana das cidades. Esse assunto [do free flow] vai fazer com que a gente retome o debate. É uma discussão que precisamos esclarecer”, pontua o deputado. "Confesso que meu sentimento neste momento é de preocupação."
Também em nota, o presidente da Amepar (Associação dos Municípios do Médio Paranapanema) e prefeito de Cambé (Região Metropolitana de Londrina), Conrado Scheller (PSD), manifestou preocupação com a implantação do pedágio free flow. Segundo ele, o sistema será instalado “em rodovias usadas para deslocamentos diários, o que impacta diretamente a população local”.
Scheller também cita a falta de informações claras sobre o funcionamento do modelo, o que tem levado muitos motoristas a serem multados. “A Amepar defende diálogo, ajustes no sistema e mais transparência, sem se opor à modernização das rodovias, desde que haja respeito à realidade regional”, completa.
'DEVEMOS FICAR ATENTOS'
A presidente da Acil (Associação Comercial e Industrial de Londrina), Vera Antunes, afirmou em nota que o pedágio eletrônico é uma tecnologia capaz de agilizar o trânsito e as viagens, “facilitando o pagamento do pedágio sem a necessidade de redução da velocidade”.
“Ou seja, evita filas e diminui o tempo de deslocamento, especialmente para o transporte de cargas, aumentando a eficiência. Ao reduzir gastos com combustível, freios, pneus e tempo, o free flow pode ajudar o setor produtivo a ser mais competitivo”, avalia a presidente.
“Mas devemos ficar atentos para que a adoção desta tecnologia não represente um aumento de tarifa. Já temos uma carga tributária muito alta e o ideal é que o free flow seja adotado sem custo extra para quem trafega ou precisa escoar sua produção pela rodovia”, pondera.