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História em quadrinhos é coisa de gente grande

Mie Francine Chiba - Equipe Folha
30 mar 2010 às 08:38
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Tem gente que começa a fazer histórias em quadrinhos na infância, cresce, e continua fazendo isso. Também há quem comece a fazer quadrinhos depois de crescido. Hobbie? Não. Trabalho sério. Profissão.

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A profissão de quadrinista, cartunista ou chargista é meio de sobrevivência para muitos brasileiros famosos. É só lembrar de Glauco, perda recente na arte das tiras, e seus companheiros Angeli e Laerte, ou Maurício de Sousa e Ziraldo. Para quem gosta desse mundo e tem talento o trabalho é quase como uma diversão. E as possibilidades de inserção no mercado são várias.

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O quadrinista pode trabalhar nas etapas de produção das editoras de histórias em quadrinhos fazendo a pesquisa, o roteiro, o traço, a arte-final ou a colorização (que hoje em dia é feita digitalmente), por exemplo. E para trabalhar com revistas do mundo inteiro, o profissional, muitas vezes, nem precisa sair de casa.


O estudante de Artes Visuais Richard Alpino Bittencourt e o designer gráfico Pietro Luigi encontraram um desses canais por intermédio de uma revista de quadrinhos cômicos conceituada nacionalmente. Morando em Londrina, eles conseguiram ter suas histórias em quadrinhos publicadas na revista fazendo contatos pela internet. ''Foi em uma seção de 'novos talentos', em 2008. Além disso, mantenho um blog com as minhas tirinhas'', conta Luigi.


Mas nada impede que o artista apresente suas próprias idéias às editoras. ''Tem muitas editoras que aceitam propostas'', afirma o coordenador da Associação dos Quadrinistas de Londrina, Eloyr Pacheco. ''Uma coisa que está muito em voga hoje é a adaptação de clássicos da literatura para histórias em quadrinhos em escala educacional'', continua. De acordo com ele, isso tem posibilitado o acesso de muitos profissionais no mercado.

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Junto a outras editoras, o profissional pode buscar espaço fazendo charges e caricaturas para jornais e revistas. As agências de publicidade também têm absorvido desenhistas da área de quadrinhos para fazer storyboards. Aqueles que têm talento para a caricatura têm sido procurados para trabalhar em casamentos, tanto para confeccionar os convites com a caricatura dos noivos quanto para animar as festas, com caricaturas dos convidados.


Outra possibilidade de ganhar o sustento são concursos que premiam quadrinistas em todo o país, como os Salões de Humor. O mais conhecido está na cidade de Piracicaba, mas esses eventos acontecem em várias partes do País. ''O importante é procurar não fazer uma coisa só. Tem que ficar de olho no mercado, atento às possibilidades e ter ideia'', aconselha Eloyr Pacheco.


Talento e técnica: a dupla dinâmica


‘Uso bastante o traço caricato, cheio de expressões exageradas, e a temática comportamental, através do humor’, conta Pietro Luigi, que hoje é designer gráfico, mas começou a desenvolver suas habilidades nos quadrinhos aos 15 anos. O estudante de Artes Visuais, Richard Bittencourt, começou a fazer suas histórias em quadrinhos aos 12. ‘Aprendi tentando fazer igual aos artistas que eu gostava’, conta o quadrinista, que usa o pseudônimo ‘Fí’ para assinar suas histórias.


Tanto Luigi quanto Bittencourt aprenderam o ofício na base do autodidatismo. Para o coordenador da Associação dos Quadrinistas de Londrina, Eloyr Pacheco, o que constitui a profissão de quadrinista é basicamente o talento. ‘É como um pianista. Se ele só tem técnica, ele não consegue tocar a alma de quem está ouvindo com sua música. Se ele une técnica a talento, temos um trabalho superior.’


Mesmo assim, ele recomenda quem quer seguir a carreira de quadrinista a procurar um curso de desenho, ou cursos especializados em quadrinhos, como o que a associação oferece. Além de ler muito sobre o assunto e manter-se informado das atualidades, principalmente para quem quer ser chargista e caricaturista. ‘O autodidata pode cometer erros e adquirir vícios, e um profissional tem condições de orientá-lo.’


Na associação, o aluno contrata o professor por hora-aula de acordo com sua disponibilidade, que são trabalhadas em grupos pequenos, de no máximo quatro pessoas. Lá, eles aprendem desde o desenho básico, anatomia, conceitos de luz e sombra, perspectiva, proporção, uso das cores, até a narrativa gráfica, investigação de traço e roteiro. ‘As aulas são 30% teóricas e 70% práticas’, define Pacheco.

Depois disso, é reunir um volume de criações e correr para mostrar o trabalho. ‘Sempre recomendo procurar um jornal, do bairro mesmo, falar com o editor, mas fazer tudo de maneira profissional, nunca fazer nada de graça’, aconselha o coordenador. A remuneração, de acordo com ele, varia conforme o contrato firmado com a empresa.


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