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Antonio Dias, que comercializa a ‘‘lenha ecológica’’: ‘‘Estou vendendo uma mudança de conceito no consumo’’ - Celso Pacheco
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Sem carvão

Para um churrasco ecologicamente correto

Gisele Mendonça - Folha de Londrina
31 dez 1969 às 21:33
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A preocupação com o meio ambiente até na hora de fazer churrasco. Um produto, há pouco tempo no mercado, substitui o carvão tradicional e começa a ganhar consumidores. A ''lenha ecológica'' é produzida a partir da sobra da serragem de madeiras de reflorestamento como o eucalipto e o pinus e traz maior rendimento, menos fumaça e cinzas na churrasqueira, além do preço 20% mais barato que o carvão.

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A ideia surgiu a partir dos briquetes utilizados em caldeiras industriais, que resultam do processo de transformação de resíduos para geração de energia, substituindo a lenha e a energia elétrica. Tais produtos são fabricados a partir da moagem e prensagem de sobras de madeiras, serragens e sub-produtos de origem vegetal (bagaço de cana-de-açúcar e cascas de arroz, café, soja, algodão, entre outros).

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Antonio Carlos Gomes Dias tabalhava como vendedor dos briquetes industriais na região de Londrina, quando começou a questionar a falta no mercado de um produto nessa linha que pudesse ser usado sem riscos na produção de alimentos como churrasco. ''Esses briquetes para indústria acabam vindo com resíduos químicos porque reaproveitam vários tipos de madeiras. Daí pensei 'por que não criar um produto 100% natural?'', conta.


Em parceria com um fornecedor de Curiúva (154 km ao sul de Jacarezinho), que já produzia a versão para indústria, Dias criou e colocou no mercado o briketinho, próprio para churrasqueira. ''Propus parceria no negócio, mas ninguém quis correr o risco de investir. Como sempre acreditei muito na ideia, pedi para este parceiro produzir para eu comercializar, mediante contrato, mesmo sem ter capital'', afirma Dias, proprietário da Enbio Energia de Biomassa, sediada em Londrina.


O produto entrou no mercado há dois anos e hoje está em 485 pontos de venda do Norte do Paraná. Há poucos meses, passou a ser vendido em três redes regionais de supermercados. A visibilidade foi conquistada com a exibição de um video na internet, onde um conhecido chef de cozinha de Londrina explica como usar o produto e fala de suas vantagens.

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Segundo o empresário, o briketinho é oriundo do primeiro corte do eucalipto e do pinus. O pó da serragem é recolhido, submetido à secagem, padronizado e passado por uma máquina que faz a compactação. ''É como se fosse uma máquina de macarrão. Vão saindo aquelas tiras que depois são cortadas em pequenos e médios pedaços'', explica Dias. Além do briketinho (corte de 5 centímetros), existe o briketão (30 centímetros), indicado para lareiras, fogão a lenha, forno de padaria.


O produto, conforme Dias, rende até três vezes mais que carvão e custa em média R$ 1 mais barato (o saco de 5 quilos sai em torno de R$ 7, dependendo do estabelecimento), além de não sujar as mãos do churrasqueiro, gerar pouca cinza e fumaça e ser fácil de acender. A embalagem vem com um acendedor específico, mas é possível usar os mesmos métodos para fazer fogo com carvão. ''O que vem agradando também é que o briketinho não deixa aquele sabor de defumado na carne, como o carvão'', observa.


Dias afirma que está fazendo uma ''verdadeira peregrinação'' no Norte do Paraná para tornar o produto conhecido e acredita e estar vendendo ''uma mudança de conceito'' no consumo. O produto é licenciado pelo Instituto Agronômico do Paraná (IAP) e pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis).


Produto facilita vida das 'churrasqueiras'


A comerciante Aparecida Batista da Silva sempre fez churrasco com carvão tradicional e diz que a tarefa, tida como masculina, ficou bem mais fácil com a descoberta da lenha vegetal. ''É muito cômodo e seguro, principalmente se você usar o acendedor (feito de serragem de eucalipto e parafina) que vem junto'', conta.


Ela diz que seu marido costuma fazer churrasco com os amigos, mas as mulheres da turma também têm o seu dia de preparar a carne. ''Apesar de achar que os homens nasceram para isso (fazer churrasco), nós mulheres ganhamos muito com este tipo de produto'', brinca.


Segundo Aparecida, o ideal é acender a churrasqueira e esperar em média 30 minutos para colocar a carne. ''Ao contrário do carvão que logo depois de aceso vira brasa, o briketinho faz chamas e se você colocar logo a carne pode queimar. Tem que esperar o fogo baixar'', recomenda.

Ela também destaca a relação custo-benefício e o fato de o produto poder ser utilizado tanto na churrasqueira quanto no fogão a lenha. ''No fogão vai muito bem porque ali quanto mais chamas melhor'', repara.


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