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Espetáculo sobre devastação do Cerrado chega a Londrina nesta quinta

29 out 2026 às 09:11

A devastação do Cerrado, segundo maior bioma brasileiro, é o tema do espetáculo “Menos da metade”, que será apresentado nesta quinta-feira (29), às 20h, no Teatro Ouro Verde, em Londrina. A montagem da Quasar Cia de Dança, de Goiânia (GO), integra a programação do Festival de Dança de Londrina 2026 e leva ao palco uma reflexão sobre os impactos ambientais provocados pela ação humana. Os ingressos custam R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia-entrada).


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Com mais de 35 anos de trajetória, a companhia aborda pela primeira vez diretamente a crise ambiental do Centro-Oeste. O espetáculo, que estreou em 2023, retrata as transformações do Cerrado, bioma que já perdeu quase metade de sua vegetação natural. Embora o ritmo do desmatamento tenha diminuído nos últimos dois anos, os danos ambientais continuam produzindo consequências para a população.



Durante os 70 minutos de apresentação, oito bailarinos representam, por meio de movimentos e elementos cênicos, as mudanças que ocorrem no bioma ao longo das estações chuvosa e seca. A coreografia percorre momentos de florescimento, aridez, erosão e devastação, mostrando também a permanência da vida em meio às transformações da paisagem.


Fundadora da Quasar ao lado de Henrique Rodovalho e diretora geral da montagem, Vera Bicalho explica que a criação surgiu da necessidade de chamar a atenção para a destruição ambiental. Segundo ela, uma das motivações foi a declaração do então ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles, durante o governo de Jair Bolsonaro, sobre deixar a "boiada passar", em referência à flexibilização de normas ambientais.


"Isso nos chocou. A gente aqui vive as consequências das queimadas, dessa devastação sem freio, e podemos contribuir para a conscientização, para que as pessoas possam ter mais enfrentamento e atuar pela preservação do meio ambiente", afirma.


Efeitos cênicos reproduzem transformações do Cerrado

Um dos recursos utilizados na apresentação é uma espécie de pó de telha, semelhante a um talco, armazenado nos figurinos dos bailarinos. O material é liberado gradualmente durante os movimentos, criando um efeito visual que representa a poeira característica do período de estiagem no Cerrado.



"A gente começa o espetáculo com os temporais, que muitas vezes destroem algumas coisas com as enxurradas. Depois vem a chuva, o nascimento, as árvores, a terra começa a brotar. Depois vem a seca e é nessa hora que levanta uma poeira que nós temos aqui, que a gente transmite no palco com esse efeito do pó de telha", explica.


A diretora conta que a montagem tem despertado identificação entre os espectadores das cidades por onde passou. Após a estreia em Goiânia, o espetáculo foi apresentado em Manaus (AM) e, depois de Londrina, seguirá para Fortaleza (CE) e São Paulo (SP).


"O público relatou muito como essa realidade é próxima da situação que eles veem. Agora vamos a Londrina, depois Fortaleza e São Paulo. Vamos deixar nosso recado em todas as regiões do país", destaca.


A montagem tem direção artística e coreografia de Henrique Rodovalho, que também assina a iluminação, desenvolvida para acompanhar as diferentes fases do Cerrado. O figurino é de Cássio Brasil e o cenário, de Marcus Camargo.


A trilha sonora, criada por Luiz Fernando Clímaco e Henrique Reis, reúne referências a composições de músicos goianos, sons característicos do Cerrado e ritmos percussivos.


A apresentação mantém características da linguagem artística desenvolvida pela Quasar ao longo de mais de três décadas, como a precisão técnica, a fragmentação dos movimentos, a teatralidade e a utilização não convencional do espaço cênico.


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