Pesquisar

ANUNCIE

Sua marca no Bonde

Canais

Serviços

Outubro Rosa

'Existe vida depois do câncer': diagnóstico precoce faz toda a diferença

Redação Bonde com assessoria de imprensa
16 out 2026 às 08:49

Compartilhar notícia

Foto: Divulgação
siga o Bonde no Google News!

Um toque durante o banho mudou a vida da cirurgiã vascular Alanna Silva Huk, de 36 anos. Em agosto de 2025, ao apalpar um pequeno nódulo na mama, ela decidiu procurar atendimento médico para investigar a alteração. Mesmo conhecendo os procedimentos e os caminhos do diagnóstico por causa da profissão, a médica enfrentou o medo ao receber a confirmação do câncer de mama. 


Receba nossas notícias NO CELULAR

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp.
Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.

Agora, como porta-voz da AML (Associação Médica de Londrina) na campanha do Outubro Rosa 2026, ela compartilha a experiência para levar esperança a outras mulheres. “O diagnóstico não é sentença de morte. Existe vida durante o câncer”, afirma.


- Céu nublado e chuvas marcam o fim de semana em Londrina


A médica passou por ultrassonografia, mamografia, ressonância magnética e biópsia. Após uma segunda biópsia para definir a conduta, recebeu a indicação de cirurgia e quimioterapia. “Eu sabia tudo que estava acontecendo, conhecia os exames, os passos e, mesmo assim, tive medo”, relata.


A quimioterapia começou em outubro. Foram 16 sessões ao longo de cinco meses, com aplicações semanais e uma rotina rigorosa de exames complementares. Ao final, ela passou por uma cirurgia realizada simultaneamente à reconstrução mamária.


Vida durante o tratamento

Durante os meses de quimioterapia, Huk procurou manter o trabalho, a prática de atividade física e os cuidados com os filhos Livia, de 7 anos, e João Romeu, de 3, nos dias em que se sentia bem. Nos períodos mais difíceis, respeitava os limites do corpo e contava com a ajuda da família.


“Saía com as crianças, trabalhava, me alimentava bem. Nos dias ruins, deitava, comia melhor e deixava minha mãe cuidar de mim”, recorda.


A rotina da médica encontra respaldo em evidências científicas. A prática regular de atividade física durante a quimioterapia está associada à melhora da tolerância ao tratamento e dos efeitos colaterais. A alimentação adequada e o descanso também são importantes para o cuidado durante esse período.


A médica reconhece que teve uma rede de apoio estruturada, com familiares presentes e condições para manter parte da rotina. Por saber que nem todas as mulheres contam com o mesmo suporte, ela destaca a importância da participação de familiares e amigos durante o tratamento.


“É importante pedir e aceitar ajuda, os familiares precisam estar atentos a isso e ser uma rede de apoio verdadeira. Levar uma refeição pronta, umas frutas, fazer um serviço doméstico ou cuidar das crianças são cuidados simples e que fazem muita diferença”, aconselha.


O acolhimento também veio de pessoas que ela não conhecia. Ao compartilhar sua experiência nas redes sociais, recebeu mensagens de mulheres que enfrentavam situações semelhantes. A troca de relatos ajudou a tornar o processo menos solitário. “Falar sobre o assunto ajudou bastante, pois permitiu a troca de experiências”, afirma.


Autoestima como parte do cuidado

As mudanças na aparência estiveram entre os momentos mais delicados do tratamento. A queda dos cabelos e a perda dos cílios afetaram Huk, que sempre usou os fios longos e sabia o quanto a filha gostava do “cabelão” da mãe.


Antes de começar a perder os cabelos, ela decidiu cortá-los bem curtos para se adaptar gradualmente à mudança. Mesmo incomodada com a ausência dos cílios, procurou maneiras de recuperar a autoestima.


“Fiz curso de automaquiagem e tentava me arrumar nos dias bons. Prefiro sempre ver o copo mais cheio, hoje penso que tive uma oportunidade de me ver com um cabelo curtinho”, conta.


Para a médica, o receio das mudanças físicas não deve se tornar um obstáculo ao tratamento. “O que mais importa é estar curada e estar viva”, ressalta.


Já na fase final do tratamento, a médica reforça que o diagnóstico não significa o fim das possibilidades. Ela destaca os avanços da medicina e a importância de manter a esperança diante da doença.


“A nossa geração é a que mais vai sobreviver à doença. Há uma infinidade de tratamentos, com altas taxas de cura”, afirma.


O cuidado com a saúde mental também foi importante ao longo do processo. No caso da médica, a religião ajudou a encontrar forças para enfrentar cada etapa. Ela reconhece que existem momentos difíceis, mas defende a valorização da vida durante o tratamento.


“A cabeça tem que estar boa para sustentar o diagnóstico. É claro que há momentos difíceis, mas a vida é única e temos que escolher viver.”


Diagnóstico precoce

O câncer de mama é o tipo mais incidente entre as mulheres no mundo e ocupa a segunda posição entre todos os tipos de câncer, representando 11,6% dos casos globais. Em 2022, foram estimados cerca de 2,3 milhões de novos casos, o equivalente a 23,8% de todos os cânceres diagnosticados em mulheres, excluídos os tumores de pele não melanoma.


No Brasil, a estimativa do Inca (Instituto Nacional de Câncer) para o triênio 2026-2028 é de 78.610 novos casos por ano, com risco estimado de 71,57 casos para cada 100 mil mulheres. A incidência é maior entre mulheres acima dos 50 anos e varia entre as regiões do país, com a maior taxa no Sudeste e a menor no Norte.


A detecção precoce é determinante para o prognóstico. Segundo a mastologista Isabela Garcia Spironeli, também associada da AML, a Sociedade Brasileira de Mastologia orienta a realização anual da mamografia a partir dos 40 anos. Para mulheres com alto risco, o rastreamento deve ser individualizado, considerando o histórico familiar e outros fatores de risco.


A especialista também alerta para a desinformação sobre o exame e reforça que a mamografia é segura e continua sendo o método mais eficaz para o rastreamento do câncer de mama.


Entre os fatores que podem ser modificados estão a obesidade, o sedentarismo e o consumo de álcool. Já as mutações genéticas BRCA1 e BRCA2 estão associadas a cerca de 5% a 10% dos casos da doença.


Embora seja mais frequente entre mulheres, o câncer de mama também pode atingir homens, que representam aproximadamente 1% dos casos. O diagnóstico costuma ocorrer por volta da sexta década de vida e, muitas vezes, em estágios avançados, devido à falta de informação sobre a possibilidade de desenvolvimento da doença no público masculino.


Na mastologia brasileira, a discussão sobre o rastreamento também envolve a ampliação da cobertura do exame sem um limite etário rígido, diante do número de mortes entre mulheres idosas. Segundo levantamento do DATASUS, entre 2015 e 2024 foram registrados 162.471 casos de câncer de mama em mulheres idosas no Brasil, dos quais 93.852 resultaram em morte.

Cadastre-se em nossa newsletter


Independentemente da idade, sinais como nódulo persistente, secreção sanguinolenta pelo mamilo, retração da pele ou do mamilo e alterações no formato da mama exigem investigação diagnóstica imediata.


Últimas notícias

LONDRINA Previsão do Tempo

Portais

Anuncie

Outras empresas