A falta de água, um problema recorrente há anos no distrito de Triolândia, do município de Ribeirão do Pinhal (Norte Pioneiro), ganhou contornos dramáticos nestas últimas semanas de 2025. Moradores da localidade relataram à reportagem da FOLHA, nesta terça-feira (30), que há cinco dias estão sem água. Cerca de 1.400 pessoas moram naquela região, onde uma das principais atividades econômicas é a olaria.
Neuza Maria de Souza, moradora há 53 anos de Triolândia, conta que há muito tempo a comunidade convive com a falta de água e são muitas as reclamações junto à Sanepar. Mas, segundo ela, a situação se tornou insuportável nos últimos dias, principalmente devido ao forte calor. "Nós estamos sofrendo muito com a falta de água. Tem que ter alguém responsável para arrumar essa água aí para nós", reclama.
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A mulher diz que o marido, de 86 anos, sofre com a situação e conta que a filha chorou porque não tinha água para beber. "A minha menina mora na chácara e estava chorando, disse que estava passando sede. A que ponto a gente chegou", lamenta.
Segundo Neuza de Souza, na segunda-feira (29) um caminhão-tanque abasteceu as casas e a situação melhorou um pouco. "Graças a Deus hoje a gente tem água para tomar um banho e fazer uma comida".
CAMINHÕES-TANQUE
Josiel Ferreira, ex-morador do distrito, mas que tem familiares e amigos na região, reforçou que o calor forte dos últimos dias tornaram a situação mais difícil. "As pessoas que trabalham em olaria, chegam em casa e querem tomar um banho, se refrescar, e não podem", comenta.
Segundo ele, os caminhões-tanque têm ajudado, mas é preciso solucionar o problema em definitivo. "Os caminhões chegam e abastecem primeiro as casas prioritárias, com idosos e crianças especiais e depois o restante dos imóveis", explica. Segundo ele, cerimônias religiosas foram canceladas devido à falta de água.
PROBLEMA CRÔNICO
O prefeito de Ribeirão do Pinhal, Dartagnan Calixto Fraiz (sem partido), diz que a falta de água em Triolândia e em alguns bairros mais altos do município é crônica. "Eu tenho feito reuniões com a Sanepar para buscar uma solução para essa falta de água, que é sistemática", afirma.
Segundo ele, a Sanepar contrata empresas terceirizadas para abastecer, com caminhão-tanque, as caixas de água das casas do distrito. Dartagnan explica que a Sanepar perfurou há cerca de um ano dois poços artesianos no município, sendo um no distrito de Triolândia e o segundo em um outro bairro, mas que o problema não foi resolvido porque ainda falta fazer as ligações ao sistema de distribuição. "A água é boa, a vazão também é boa, mas faltam as ligações", cobra o prefeito.
A reportagem procurou a assessoria de imprensa da Sanepar, mas até a conclusão desta reportagem, não houve retorno.