Representantes da Acesf (Administração dos Cemitérios e Serviços Funerários) e da Fupef (Fundação de Apoio da Universidade Federal do Paraná), instituição ligada à UFPR (Universidade Federal do Paraná), assinaram nesta quarta-feira (9) a ordem de serviço para iniciar os estudos do primeiro licenciamento ambiental dos 13 cemitérios públicos de Londrina. O contrato foi firmado após recomendação do MPPR (Ministério Público do Paraná) e conversas com o IAT (Instituto Água e Terra), órgão responsável pela deliberação do licenciamento.
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A iniciativa, de acordo com os especialistas contratados, coloca Londrina na vanguarda da regularização ambiental de cemitérios. Os profissionais da Fupef destacaram que são poucos os municípios que têm os cemitérios regularizados. A reportagem apurou que Ponta Grossa (Campos Gerais) é um deles, com normas aprovadas pelo IAT em outubro de 2025.
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O projeto envolve os 13 cemitérios públicos administrados pela Acesf e terá duração prevista de 12 meses. A primeira etapa será dedicada ao reconhecimento completo das áreas. Com a assinatura da ordem de serviço nesta quarta, começa a contar oficialmente o prazo para execução dos estudos.
A contratação ocorreu após uma recomendação expedida em março pela promotora Révia Luna, da 20ª Promotoria de Justiça de Londrina do MPPR. O documento apontou a necessidade de regularização dos cemitérios e destacou a existência de possíveis contaminações no entorno do Cemitério São Pedro, no Centro.
Um estudo feito na região identificou nitrato acima da quantidade considerada normal e bactérias com indícios de contaminação em residências. Diante da situação, o MPPR estabeleceu prazo de 180 dias para que o município apresentasse uma solução.
Cerca de seis meses depois, representantes da Acesf, Fupef, IAT, MPPR e Prefeitura de Londrina participaram da assinatura da ordem de serviço. De acordo com Révia, a solução foi construída por meio da união entre os órgãos, evitando, inicialmente, a necessidade de judicialização.
A promotora afirmou ainda que o IAT participará de todo o processo para acompanhar a elaboração dos estudos e garantir que as etapas necessárias sejam cumpridas.
“De março até hoje, fizemos várias reuniões técnicas para ajustar tudo o que precisava. O licenciamento é o direcionamento de como a atividade deve acontecer e ser monitorada, tudo o que nós não tínhamos. É de extrema importância que a fundação tenha esse contato com o IAT para, lá na frente, não ter desculpas para cumprir as condicionantes”, explicou Révia.
Estudo vai avaliar solo e água
O projeto foi dividido em etapas, organizadas conforme a necessidade de avanço até que o município consiga obter o licenciamento ambiental dos 13 cemitérios.
Rubens Secco, coordenador de projetos da Fupef, explicou que a primeira fase vai estabelecer os parâmetros que serão utilizados no restante do trabalho. Os especialistas farão levantamentos topográficos e planialtimétricos, além de análises da qualidade da água.
“Nesta primeira etapa, vamos avaliar quais são os parâmetros para depois serem apresentados. Tudo isso depois de compilado é que vai demonstrar a qualidade final das áreas potencialmente contaminadas”, afirmou o coordenador da fundação contratada pela Acesf.
Segundo Secco, a análise levará em consideração o potencial poluidor das atividades que acontecem nos cemitérios. A partir dos resultados, serão definidas eventuais medidas necessárias para adequação das áreas.
“Pode haver contaminação de solo ou contaminação de água. Não necessariamente isso será encontrado”, disse.
R$ 840 mil investidos
Segundo Péricles Deliberador, superintendente da Acesf, aproximadamente R$ 840 mil foram destinados pela própria administração para o estudo. Ele classificou a etapa como um desafio para o município, principalmente devido à idade de alguns cemitérios. O São Pedro, por exemplo, funciona desde 1932, aproximando-se de um século de atividade.
Deliberador ressaltou que a expectativa é de que os trabalhos sejam apresentados antes do prazo. “Eles querem começar o mais rápido possível. Eles têm a mesma pressa que nós. Creio que não serão precisos os 12 meses. Após o processo licitatório, eles já estiveram aqui analisando alguns cemitérios.”
A contratação da Fupef ocorreu por meio de dispensa de licitação prevista em lei para esse tipo de contratação com universidades. De acordo com Deliberador, a Acesf recebeu pelo menos quatro propostas de instituições interessadas. Os valores apresentados variaram de R$ 1,2 milhão a R$ 2 milhões.
Caso sejam identificados problemas de contaminação durante os levantamentos, Deliberador salientou que o estudo também deverá indicar as soluções necessárias para cada situação.
Jardim da Saudade pode ser primeiro
A Acesf pretende sugerir que o estudo seja iniciado pelo Cemitério Jardim da Saudade, na Zona Norte, por ser o maior cemitério de Londrina, com 125 mil metros quadrados. Ainda não há, porém, uma definição sobre qual será a primeira área analisada.
A definição das medidas necessárias dependerá dos resultados dos estudos. Deliberador afirmou que há fatores externos aos próprios cemitérios que também precisarão ser considerados durante a análise, incluindo a existência de estruturas e problemas antigos na vizinhança.
“Vamos ver o que vai ser feito nessa primeira análise da empresa que ganhou. Às vezes a gente pensa que [o problema] vai estar dentro do cemitério, mas pode ser ao lado. Temos problemas antigos com a Sanepar. Temos também dois postos de gasolina ao lado do cemitério [São Pedro]”, exemplifica.
Ampliação de jazigos
Enquanto o processo de regularização começa, a Acesf continua trabalhando na ampliação da capacidade dos cemitérios. No Jardim da Saudade, está em andamento a verticalização de jazigos. Já existem espaços com cinco jazigos verticais e a intenção, segundo Deliberador, é ampliar a capacidade para estruturas que possam chegar a oito ou dez jazigos.
Segundo ele, o projeto de ampliação dos cemitérios continuará porque a demanda por sepultamentos segue crescendo. Para reduzir a pressão sobre as unidades mais ocupadas, a Acesf também está utilizando com mais frequência os cemitérios dos distritos de Maravilha e Paiquerê.