O técnico Allan Aal revelou que o elenco do Londrina recebeu um “gás extra” antes do duelo decisivo de domingo (22), pela volta da semifinal do Campeonato Paranaense. A vitória por 1 a 0 sobre o Athletico, na Arena da Baixada, garantiu o LEC na final do Estadual. Segundo o treinador alviceleste, uma declaração de João Correia, técnico do sub-20 que comandou o Furacão no jogo de ida, serviu como motivação direta para a partida na capital.
Após o empate por 2 a 2 no estádio do Café, o português afirmou que o Athletico havia “engolido” o Londrina na primeira partida. A frase repercutiu rapidamente no vestiário e, de acordo com Aal, foi usada pelo grupo como combustível emocional na preparação para o confronto decisivo.
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“Tivemos a leitura do que foi o último jogo e trabalhamos em cima do que poderia acontecer. Fizemos com excelência. Nosso grupo acredita no dia a dia e no trabalho. Quando foi colocado que ‘fomos engolidos’, isso nos motivou muito. Não estou julgando o João, mas falta experiência. Uma declaração assim é gasolina na fogueira, e foi o que aconteceu”, afirmou Allan Aal.
O treinador explicou que o desempenho no jogo decisivo passou por ajustes importantes. Embora tenha o segundo melhor ataque do Estadual, com 19 gols, atrás apenas do Athletico, o Londrina também se destaca pela consistência defensiva, com apenas sete gols sofridos. “É ter humildade para saber que, às vezes, vamos defender mais do que atacar. Seria ilusão achar que chegaríamos na Arena da Baixada e controlaríamos o jogo pela posse. Controlamos com marcação e condicionamento, criando chances principalmente no primeiro tempo”, analisou o técnico, que optou por mais força no meio-campo na formação inicial ao sacar o atacante Paulinho Moccelin para promover a entrada do volante João Tavares.
Segundo ele, a variação tática ao longo da partida reforça a evolução da equipe. “Depois variamos o sistema, colocamos três zagueiros, velocidade pelos lados e uma referência para finalizar. O grupo está entendendo o que cada jogo exige”, disse o comandante.
Referência
Allan Aal destacou também a mescla do elenco entre jogadores remanescentes e recém-chegados que rapidamente se identificaram com o clube. Para ele, essa combinação se tornou essencial na campanha. “São atletas com grande identificação com o Londrina, e coincidiu que os que chegaram agora também criaram essa ligação com a torcida. É uma mescla muito boa. São líderes positivos, importantes dentro e fora de campo. Nosso grupo é muito concentrado e leva o trabalho a sério”, afirmou.
Ele citou o capitão Wallace como um exemplo de liderança diária. “O Wallace é extraordinário dentro e fora de campo. Muitas vezes me poupa de falar algumas coisas, assim como todo o grupo tem liberdade para se orientar. Um corre pelo outro. Ainda é início de trabalho, mas seguimos no caminho certo”, completou.
Força do interior
A final contra o Operário marca o sexto ano seguido com clubes do interior nas decisões do Campeonato Paranaense. Desde 2020, quando Athletico e Coritiba fizeram a última final entre times da capital, o interior passou a ter ao menos um clube na decisão. O duelo entre Londrina e Operário, inclusive, será o terceiro totalmente "caipira" nos últimos seis anos.
O Londrina venceu o Cascavel em 2021, enquanto o Operário superou o Maringá em 2025. Agora, o duelo entre ambos reforça a força esportiva longe de Curitiba.
Para Allan Aal, paranaense de Paranaguá, esse momento tem peso importante. “Fui criado aqui e tenho a oportunidade de trabalhar num clube do tamanho do Londrina. Chegar a uma final é importantíssimo coletivamente, mas individualmente também me marca muito. Me sinto em casa, no nosso dia a dia”, destacou.
Ele também acredita que o equilíbrio fortalece o futebol estadual. “Fortalecer o futebol paranaense é nossa missão. O Paraná potencializa o esporte. Espero retribuir tudo o que venho recebendo dentro de campo”, disse.
Com a classificação garantida, o Londrina agora se prepara para enfrentar um adversário experiente, acostumado a jogos decisivos e com elenco com rodagem de Série B. “Vamos enfrentar uma equipe muito difícil, que é o Operário. Jogando fora de casa, com jogadores acostumados a esse tipo de partida, precisamos nos preparar bem e manter a humildade”, reforçou o treinador.