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Anne permanece em silêncio ao depor sobre denúncia de rachadinha

Douglas Kuspiosz - Grupo Folha
13 fev 2026 às 17:59

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Foto: Douglas Kuspiosz
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A vereadora Anne Moraes (Avante) optou por ficar em silêncio durante seu depoimento nesta sexta-feira (13) ao promotor Renato de Lima Castro, da 26ª Promotoria de Justiça de Londrina, no âmbito do PIC (Procedimento Investigatório Criminal) que apura denúncia de que a parlamentar teria exigido que um assessor repassasse parte do salário para pagar um de seus advogados, o que pode caracterizar a prática de “rachadinha”.


Ela chegou por volta das 14h40 à sede do MPPR (Ministério Público do Paraná), e seu depoimento durou menos de 30 minutos. Na saída, se recusou a falar com a imprensa, papel que coube ao seu advogado, Eduardo Caldeira.

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“A Anne vem colaborando com o Ministério Público. Nós temos respeito às instituições e, neste momento processual, nos reservamos ao direito de ficar em silêncio. As investigações estão em andamento, mas estamos muito tranquilos em relação a essa suposta denúncia”, justificou o defensor, que avalia que “essa denúncia não traz meio de prova”.


Questionado sobre os prints em que um ex-assessor de Anne relata a um colega da CML (Câmara Municipal de Londrina) a suposta exigência para “rachar” o salário, Caldeira disse não ver “lastro probatório” nas conversas. “Até porque, com os recursos de informática de hoje, facilmente se faz um print com qualquer conversa. Isso não é prova”, apontou o advogado.


O ex-assessor prestou depoimento ao MPPR e corroborou as informações presentes na troca de mensagens. O assessor com quem o ex-funcionário do gabinete de Anne conversou também foi ouvido pelo promotor e confirmou a veracidade das mensagens.


“Não existe rachadinha, nunca existiu. A Anne faz seu trabalho de forma transparente e ganhou a eleição de forma humilde. Não gastou muito. Isso vem incomodando a oposição. Mas a defesa está muito tranquila em relação a essa denúncia”, acrescentou Caldeira, que ainda falou em “perseguição” contra a parlamentar.


A reportagem apurou que as investigações conduzidas pela 26ª Promotoria de Justiça continuam, e outras pessoas podem ser ouvidas.


Além do procedimento sobre a suposta proposta de rachadinha, Anne responde a uma ação civil pública que apura o suposto uso de assessores de gabinete como advogados particulares. A denúncia de improbidade administrativa chegou primeiro à CML (Câmara Municipal de Londrina), na forma de representação, e depois passou a tramitar também no MPPR (Ministério Público do Paraná), que ajuizou a ação. Ela nega as irregularidades.


Entenda


A 26ª Promotoria de Justiça teve acesso a prints de conversas do ex-assessor com um colega da CML, nas quais ele relata receio de ser exonerado pela vereadora. “Falou que ia me exonerar, mas que depois de 30 dias me chamava de novo”, escreveu o ex-assessor. “Ela queria que eu rachasse meu salário com o advogado dela.”


Em depoimento ao promotor Renato de Lima Castro, em dezembro de 2025, o ex-assessor confirmou a situação. “No meio da sessão, ela disse: ‘Vamos lá fora conversar’. A gente foi, e ela falou: ‘Estou precisando de um valor e vou precisar te exonerar, porque preciso do seu salário. Ou eu te exonero e, daqui a 30 dias, como eu gosto de você e do seu trabalho, você volta por um valor menor, ou você continua como está seu salário, mas 50% vai ter que ir para o advogado’”, relatou o ex-assessor, que garantiu ter recusado a proposta. Ele foi demitido pouco tempo depois.


O servidor trabalhou no gabinete de Anne Moraes entre 18 de agosto e 1º de dezembro de 2025, com salário bruto de R$ 8 mil.


A FOLHA também teve acesso ao depoimento de um assessor parlamentar que foi procurado pelo ex-funcionário do gabinete de Anne Moraes. Ele confirmou que a troca de mensagens sobre a suposta exigência ocorreu no dia 12 de novembro de 2025.


Outro assessor parlamentar da Câmara afirmou que também foi procurado pelo ex-assessor e ouviu o mesmo relato. “Ele me chamou para conversar e falou que a Anne tinha oferecido duas propostas: baixar o salário dele ou ajudar a pagar um advogado”, disse em depoimento.

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No despacho que notificou a vereadora para depor, o promotor cita ainda o registro, nas redes sociais de Anne, de um encontro com um advogado nas dependências da Câmara, em 6 de novembro de 2025, cerca de uma semana antes da troca de mensagens do ex-assessor que deu origem à investigação. Segundo o promotor, o episódio “corrobora o estreito vínculo profissional existente entre ambos”.

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