Londrina

Biblioteca Pública de Londrina sofre com goteiras e infiltração

13 mar 2026 às 14:46

A Biblioteca Pública Municipal de Londrina, na região central, sofre com goteiras que prejudicam o piso de taco e infiltrações que mancham os tetos desde o fim do ano passado. O problema era antigo e durou anos, mas havia sido sanado com a revitalização de 2020. Com as fortes chuvas desta semana, a questão se tornou mais grave na terça-feira (10), quando funcionários tiveram que cobrir o chão de uma sala de exposições com uma grande lona e colocar baldes em cima dela, em uma tentativa de preservar a madeira. O teto deste espaço e de outros no piso superior estão mofados, com servidores apontando o motivo como a falta de manutenção e limpeza das calhas. Livros únicos foram molhados e destruídos.


Vinicius Bueno, consultor formado em Biblioteconomia e frequentador assíduo do local, esteve na biblioteca na terça e lamentou a cena que viu na Sala de Exposições José Antonio Teodoro, no piso superior. “Teve um serviço técnico de colocar lona para que o taco não tenha contato com a água, mas se a lona ficar por muito tempo, a própria umidade já pode comprometer. E quando tem contato de umidade com o papel, cria um ambiente propício para a proliferação de microorganismos, então o bolor e um universo de colônias podem se proliferar.”


No mesmo andar, existem dois espaços que foram inaugurados em 2023, a Sala Ubuntu, em homenagem a cultura africana, e a Sala Nhanderekô Eg Kanhró, que homenageia a cultura indígena. O teto está manchado em ambas, com sinais de infiltração.



No piso inferior, onde o acervo de livros está localizado, exemplares foram totalmente destruídos por conta da água da chuva, a ponto de não terem salvação. Servidores da biblioteca informaram que alguns eram únicos, com somente uma cópia, exemplificando uma obra que foi emprestada 48 vezes no ano passado e agora está irreparável. Uma estante foi totalmente coberta com uma lona, para prevenir que novos vazamentos destruam mais exemplares.


Bueno imaginou o “prejuízo que a falta desses livros vai causar na vida das pessoas, porque se elas procuram um livro ali e não encontram, é uma barreira para não procurar novamente. São múltiplas realidades impactadas ou que deixam de ser impactadas, seja por investimento ou má conservação, como é o caso que a gente está vendo”. Disse ainda que “é muito triste presenciar isso, porque vemos o descaso tanto com o prédio, por ser um prédio histórico, quanto com os materiais que são abrigados e as pessoas que são usuárias”.


Destruição do piso original


A FOLHA esteve na biblioteca na quarta-feira (11) e observou que as goteiras haviam cessado, porém, a lona e os baldes permaneciam na sala de exposições como medida paliativa. Servidores que atendiam ao público relataram que é uma grande preocupação a possibilidade de o piso de taco ser destruído se uma solução permanente não for colocada em prática logo.


“Foi gasto um recurso considerável para restaurar esse piso, que é original da década de 40. Agora com essa lona, fica suando em cima, ele pode estufar e estragar. E sem contar as infiltrações, as goteiras, que apodrecem o próprio prédio. É um prédio antigo, então a gente tem que preservar, não esperar pra estragar”, almeja um funcionário, que preferiu não se identificar. Ele se referiu a revitalização interna promovida pela antiga gestão municipal entre 2022 e 2023, com investimento próprio do Município no valor de R$ 150 mil.


A reforma contemplou os pisos, com remoção do rejunte e cera antigos. Os tacos de madeira foram lixados e polidos, e houve a substituição dos que estavam apodrecidos ou danificados. Também foi feita a aplicação de três camadas de verniz transparente antichamas em toda a sua extensão, para renovar, proteger e tratar a madeira.


Entre 2019 e 2020, houve a substituição completa dos telhados, reparos no madeiramento de cobertura e readequação das calhas de água. A intervenção solucionou um problema antigo de vazamento e goteiras observado, pelo menos, desde 2017, que voltou a prejudicar o espaço no fim do ano passado. A obra mais recente foi finalizada em janeiro de 2025, sem a necessidade de abranger o piso e o telhado por conta das intervenções anteriores. Desta vez, serviços menores foram o foco, sendo que torneiras e os corrimãos da entrada foram substituídos, portas foram pintadas e os rodapés comidos por cupins foram trocados.


Falta de manutenção


Por conta das árvores que cercam a Biblioteca Municipal, é necessária uma manutenção por mês nas calhas para que as folhas caídas não as entupam. Os funcionários pontuaram que “não é sempre que a Secretaria de Cultura manda alguém para fazer”, mesmo com as solicitações frequentes.


A pasta estaria a par da situação atual no acervo e nas salas do piso superior, visto que uma servidora encaminhou fotos que comprovam o ocorrido, mas não obteve retorno. Outra pessoa considerou essencial não “esperar estragar para arrumar”, com a necessidade de pintar os trechos mofados e escuros após o reparo.


Disse que o espaço é vivo e recebe visitantes diários, mas que os problemas não deixam o ambiente acolhedor. “Quem vai vir conhecer a biblioteca com lona e baldes espalhados e o teto escuro e sujo? Que dá alergia e até prejudica a saúde”, questionou. Completou informando que quando não há lonas disponíveis, os servidores compram este e outros materiais para amenizar a situação com seu próprio dinheiro.


Ordem de serviço


Em nota, a Secretaria de Cultura informou que existe uma ordem de serviço assinada com uma empresa para a realização de diversos serviços de manutenção na biblioteca. E que solicitou urgência na realização dos reparos, “inclusive no telhado, para resolver a situação definitivamente e aguarda para os próximos dias o início dos trabalhos”


Destacou que “os ventos fortes e os grandes volumes de chuva que caíram sobre a cidade, notadamente nos últimos dias, acabam entupindo as calhas do telhado, apesar da limpeza feita constantemente”. E pontuou que o prédio que comporta a biblioteca é antigo e possui um telhado de cerâmica, o que acarreta em “telhas trincadas ou quebradas por galhos e outros objetos, causando as infiltrações observadas”.


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