O vereador Boca Aberta (PR) protocolou, no final da tarde desta quinta-feira (4), um requerimento solicitando afastamento - não remunerado - de até 120 dias da Câmara Municipal. A informação foi confirmada pela assessoria de imprensa do Legislativo ao Portal Bonde. No documento, o parlamentar alega apenas 'motivos pessoais', mas não dá mais detalhes sobre o porquê de ter solicitado a licença.
Conforme a assessoria, o requerimento entrará na pauta da sessão da próxima terça-feira da Câmara, onde será acatado ou não pelos vereadores. O procurador jurídico da Casa, Miguel Aranega Garcia, vai dar explicações sobre o caso a partir das 16h30.
Nesta semana, Boca Aberta se envolveu em uma confusão com Jamil Janene (PP). Ele chamou o pepista de "quadrilheiro" e disse que 'não teria moral para falar de sua conduta". A discussão ocorreu durante reunião da Comissão de Justiça na última quarta-feira. O encontro teve que ser interrompido.
Em entrevista ao repórter Edson Ferreira, da Folha de Londrina, Boca Aberta disse que 'nos últimos dias, recebeu diversas ameaças de morte'. Ele detalhou que, no sábado passado, um motociclista teria dito que 'o vereador iria morrer'. O caso aconteceu perto das 16h na Avenida Saul Elkind, onde o parlamentar atendia algumas pessoas. "Eu pensei que fosse algum conhecido. Pedi para ele tirar o capacete, mas não me atendeu e foi embora", comentou.
O procurador jurídico da Câmara, Miguel Aranega Garcia, disse que o pedido de licença protocolado por Boca Aberta não suspende os processos que ele responde na Comissão de Ética, bem como os projetos apresentados até agora pelo parlamentar. "É o que preconiza o regimento interno da Casa".
Derrota na Justiça
Nesta semana, o juiz da 10ª Vara Cível de Londrina, Álvaro Rodrigues Junior, determinou que Boca Aberta retirasse as palavras "deputado cara de pau e mentiroso" do Facebook, assim como os comentários e compartilhamentos direcionados contra o deputado federal Alex Canziani (PTB), que ingressou com uma ação judicial. A sentença foi dada na última terça (2). O magistrado determinou que o conteúdo não fosse mais veiculado em até 48 horas, ou seja, até esta quinta-feira.
Se descumprir a determinação, o vereador pode ser multado em até mil reais por cada publicação realizada. Na decisão, o juiz disse que "não há dúvidas quanto à responsabilidade do réu pelas ofensas proferidas, mas não se revela razoável, no caso citado, a remoção integral do perfil social do parlamentar". Para a Justiça, "Boca Aberta extrapolou os limites do exercício do reito à liberdade de expressão".
Mais denúncias
Ele é acusado pela enfermeira Regina Amâncio de ter incorrido na prática criminosa ao pedir dinheiro para eleitores por meio de redes sociais para quitar uma multa eleitoral. A representação foi analisada pela Mesa Executiva na manhã desta quinta-feira (4), junto com outras duas, contra o mesmo parlamentar.
Além da acusação de estelionato, a Mesa Executiva também analisou os pareceres sobre representação dos médicos da Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) do Jardim do Sol, nos episódios envolvendo a "Blitz da Saúde", em janeiro deste ano, e uma representação por quebra de decoro protocolada pelo presidente da Câmara Municipal de Jataizinho, Maurilio Martielho (PSD), que se sentiu ofendido pelo vereador londrinense em uma audiência pública sobre o Contorno Norte – obra viária que a concessionária Econorte queria deixar de lado em troca de adiantar a duplicação da BR-369 entre Jataizinho e Cornélio Procópio.
(atualizada às 18h)
(com informações do repórter Edson Ferreira, da Folha de Londrina)