Um grupo de caminhoneiros participou da sessão desta terça-feira (3) da Câmara Municipal de Londrina. Autônomos, os profissionais criticaram as transportadoras e pediram apoio aos vereadores. A categoria protesta em todo o país desde o dia 22 de fevereiro. No Paraná, os motoristas chegaram a fechar diversas rodovias estaduais e federais, mas as manifestações perderam força após a Justiça impedir os bloqueios.
Na Câmara, os caminhoneiros criticaram a tabela de fretes usada pelas transportadoras, o alto preço do diesel e os valores do pedágio. De acordo com Alexandre Borba, algumas empresas estariam pagando metade do valor ideal aos motoristas pelo transporte das cargas. "O frete é de R$ 3 mil, mas recebemos R$ 1,6 mil". Segundo o caminhoneiro, as transportadoras descontam dos valores os impostos, mas sobra aos autônomos gastos com "manutenção, pneus, pedágio, seguro do caminhão", entre outros pontos. "Precisamos de uma lei que estipule um valor-limite mínimo para o frete", argumentou.
Na avaliação do caminhoneiro, o poder público precisa criar mecanismos para controlar o pagamento feito pelas transportadoras. "A nossa causa precisa ser revista urgente. Precisamos de uma nova tabela e, principalmente, que as empresas obedeçam aos valores previstos no dispositivo", destacou.
O caminhoneiro Leandro Colete contou que, há dois anos, conseguia comprar um pneu com o valor que recebia para fazer uma viagem entre Londrina e São Paulo. Atualmente, ele alega precisar fazer três viagens entre os dois municípios para obter o dinheiro necessário para adquirir o mesmo pneu. "Os valores estão todos defasados", observou.
Conforme ele, só tem serviço o caminhoneiro que aceita receber pouco. "No entanto, esse motorista deixa o seu veículo sem manutenção e, com isso, corre o risco de causar acidentes nas rodovias", declarou.
Colete disse que se a situação continuar como está, os caminhoneiros autônomos correm o risco de cruzar os braços em definitivo no final do ano.
O Governo Federal vai mediar uma reunião entre caminhoneiros e empresários no próximo dia 10. As duas partes pretendem chegar a um acordo sobre a tabela que calculará os novos preços dos fretes.