A partir desta sexta-feira (22), um ônibus 100% elétrico vai passar a trafegar pelas ruas de Londrina. Em fase de teste, o veículo vai atender seis linhas nos próximos 20 dias, começando pela 213, que liga o Terminal Central Urbano ao Shopping Catuaí, na Zona Sul. Após esse período, a CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização) vai poder avaliar aspectos importantes, como custo, trafegabilidade, conforto do usuário, autonomia e tempo de recarga. O veículo começou a operar ainda durante a manhã desta sexta.
O ônibus elétrico é produzido pela marca chinesa TEVX Higer e é do modelo Azure A13BR. O veículo pode levar até 80 passageiros e foi todo envelopado para trafegar durante o período de teste. O presidente da CMTU, Fabrício Bianchi explica que o teste vai permitir que a companhia avalie como o veículo elétrico se adaptaria à realidade de Londrina, assim como o custo-benefício para manter a operacionalização do serviço.
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“A gente está buscando algumas alternativas dentro de opções que trazem a sustentabilidade como plano de fundo, sendo que uma delas é o ônibus elétrico”, afirma. Neste momento, o veículo em teste vai atender pelos próximos cinco dias a linha 213, do Terminal Central até o Shopping Catuaí, e, na sequência, a linha 228 (Anel Central), também por cinco dias, ambas operadas pela Londrisul.
Depois, o teste começa a ser operacionalizado pela TCGL (Transportes Coletivos Grande Londrina) também por dez dias. Estão previstas para serem atendidas as linhas 108 (Albatroz), 109 (Rodoviária), 446 (Milton Gavetti/Norte Shopping) e 305 (Campus UEL) das 6h às 19h30. Após os testes, a CMTU deve abrir uma consulta aos usuários para avaliar a opinião da população em relação ao ônibus.
Bianchi afirma que a iniciativa de testar o veículo veio por parte da CMTU, já que a companhia vem buscando alternativas que tragam inovação e sustentabilidade. Além disso, ele garante que o objetivo é conferir, na prática, se operar um veículo elétrico é mais barato do que o modelo tradicional. “Nós precisamos ter dados, ter números e, em parceria com as empresas, chegar a conclusão se é viável para a cidade de Londrina”, explica, reforçando que o teste não traz custos ao município.
Diferenciais
Como é um modelo de teste, o ônibus chegou com alguns mecanismos diferentes dos adotados na cidade. Um exemplo é em relação às portas, já que são duas no lado esquerdo e outras duas no lado direito. Moacir Moraes, gerente de Operações de Transporte da CMTU, explica que como a cidade utiliza apenas o embarque e desembarque pelo lado direito, as demais portas ficaram fechadas.
Além disso, o veículo também não possui as tradicionais “cordinhas”, utilizadas para indicar com sinal sonoro que alguém precisa descer no próximo ponto. A sinalização deve ser feita exclusivamente pelos botões instalados nas barras. Caso o modelo seja aprovado e exista a intenção de adquirir unidades para serem implementadas no transporte público de Londrina, Moraes garante que eles podem ser fabricados seguindo as definições do município.
Acessibilidade
O gerente destaca que a acessibilidade é um dos pontos mais importantes do veículo, já que não há degraus nas entradas e saídas e, por conta da suspensão, o ônibus pode ficar na altura das calçadas para que pessoas com dificuldade de locomoção possam embarcar de maneira mais confortável.
Além disso, o veículo conta com ar-condicionado e telas onde devem ser programadas as rotas da linha e o tempo até chegar à próxima parada. No painel, o motorista também tem acesso às imagens das câmeras internas e externas.
Moraes explica que a autonomia é de cerca de 270 quilômetros, mas, de acordo com ele, isso leva em conta fatores como relevo, topografia e da lotação do veículo. Neste momento, o ônibus vai ser recarregado nas garagens das empresas durante a noite.
Apesar de ainda ser um teste, o veículo está configurado para aceitar pagamentos da tarifa com o cartão-transporte, de débito ou em dinheiro. “Vai operar como se fosse uma linha normal”, afirma.
Experiência do usuário
Estacionado na plataforma F do Terminal Central, o ônibus atraia olhares curiosos e animados, com muitos comentários elogiando a novidade. A reportagem do Bonde participou de uma volta de alguns minutos pelo Centro Histórico de Londrina e a principal diferença em relação aos veículos tradicionais, à combustão, é o silêncio. No trajeto, era possível manter uma conversa tranquila, sem precisar falar alto para que a pessoa ao lado escutasse. E por falar em conversa, alguns dos bancos são acomodados de frente aos outros, o que permite que um grupo de amigos possa conversar sem precisar olhar para trás.
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