O primeiro sismógrafo necessário para monitorar os estrondos e tremores de terra sentidos no jardim Califórnia, na região leste de Londrina, foi instalado pelos especialistas do Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo (USP) na sede da Guarda Municipal, às margens do lago Igapó, durante a manhã desta quarta-feira (6). O equipamento foi acomodado em uma vala de sessenta centímetros e ficará responsável por detectar qualquer tipo de abalo em um raio de cinco quilômetros.
Outros três sismógrafos deverão ser instalados na região do Califórnia, em locais não divulgados por questões de segurança, no período da tarde. O engenheiro eletrônico da USP, Carlos Galhardo, explicou que o aparelho é formado por dois instrumentos: um deles, enterrado no solo, fica responsável por detectar os tremores, para que o outro faça a gravação dos sinais e, posteriormente, emita esses dados para análise. "É um equipamento muito sensível e, por isso, optamos por instalar o primeiro em uma região mais calma, afastada do bairro", destacou o especialista em entrevista coletiva.
Galhardo explicou, ainda, que, a partir do momento no qual o sismógrafo é ativado, ele "não para mais de gravar". "O monitoramento ocorre 24 horas ininterruptas. A gente ligou, não desliga mais", garantiu, lembrando, entretanto, que a análise dos dados vai ser realizada de forma periódica pela equipe. "O que for detectado vai ser baixado e transmitido ao Centro de Sismologia. No entanto, se houver algum evento muito forte, podemos optar por fazer a análise em tempo real", disse.
O especialista argumentou, também, que, apesar do incômodo, os moradores do Califórnia precisam torcer para que novos tremores aconteçam. "Na verdade, a gente vai precisar de uma porção deles. Quanto mais dados você tiver, melhor vai ser para a análise", resumiu.
Questionado sobre a possibilidade de os tremores estarem sendo causados por tubulações da Sanepar, o engenheiro disse que, por enquanto, nenhuma hipótese pode ser descartada. "A ideia de trabalhar com ciência é justamente a de usar todos os dados disponíveis para poder determinar as coisas", concluiu.
Vale lembrar que o Centro de Sismologia da USP já registrou dois terremotos de pequena magnitude na região do jardim Califórnia: um no dia 14 de dezembro e outro na última sexta-feira, 1º de janeiro.