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'Beber o morto'

Familiares e amigos tomam chopp e cantam em velório festivo em Londrina

Luís Fernando Wiltemburg - Redação Bonde
10 nov 2021 às 15:34
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As capelas da Acesf (Administração dos Cemitérios e Serviços Funerários) em Londrina sediaram um velório, no mínimo, curioso nesta terça-feira (9). Amigos e familiares do médico Mansur Miguel Mitne cumpriram um de seus desejos em vida e promoveram uma celebração com chopp e música. 

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A arte com o anúncio do falecimento convidava para o “velório festivo”, das 14h às 16h, ao lado de uma foto de Mitne com uma taça de cerveja. No texto em memória do médico, a explicação: “Iremos comemorar os ensinamentos que ele nos deixou, como amigo, médico, pai, ser humano, etc… Felicidade é o resumo… Vamos festejar mais este momento da vida dele, obrigado por tudo, nosso ídolo.”

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Vídeos em que pessoas enchiam os copos de chopp ao som de música alegre viralizaram nas redes sociais. No momento do enterro, houve champanhe e a solenidade ocorreu sob coro de "O que é, o que é", música de Gonzaguinha imortalizada pelos versos ""Viver e não ter a vergonha/ De ser feliz/ Cantar, e cantar, e cantar/ A beleza de ser um eterno aprendiz".



Valdecir Rospirski, genro de Mitne, comenta o quanto o sogro era divertido, alegre. "Com ele nunca houve tristeza. Ele levantava e ia dormir feliz. Com certeza, ele teve uma vida muito feliz e todos que viveram ao redor dele, sem exceção, foram muito felizes também, incluindo os pacientes. Ele ajudou muitas famílias, especialmente quando tinha seu consultório", conta. 



O superintendente da Acesf, Péricles Deliberador, admite que a situação é curiosa, mas que os familiares e amigos “só fizeram o que o falecido pediu”.

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Ele disse que não sabia do pedido e tomou conhecimento do velório festivo no decorrer da situação. “Nós, funcionários, não participamos dos velórios”, explica. Entretanto, o som incomodou outra capela e, quando houve a reclamação, Deliberador pediu que o volume do som fosse reduzido. Entretanto, já era próximo do horário do enterro.


Segundo Deliberador, não há irregularidade na atitude, uma vez que devem ser respeitadas todas as crenças e religiões. “Há velórios católicos e evangélicos com cantos, orações, às vezes, música. Só não pode incomodar os enlutados das outras capelas, nem danificar o patrimônio público, o que não houve”, afirma o superintendente.


Mitne morreu aos 73 anos, em Londrina, na noite de segunda-feira (8). Seu velório ocorreu na tarde desta terça, na capela 1 da Acesf, e seu corpo, enterrado no Cemitério São Pedro, também em Londrina.


Beber o morto


Segundo uma coluna da historiadora Joana Monteleone, chamada “A cachaça, os velórios e o ato de beber o morto”, publicada em dezembro de 2020 no site Brasil de Fato, o ato de “beber o morto” consistia no hábito de tomar cachaça, durante a noite do velório, relembrando casos passados com a pessoa que partiu, misturando risos e choros de saudades. Muito comum, de acordo com ela, há até 50 anos, o hábito se perdeu na correria dos dias de hoje, o que provoca estranhamento em casos assim. 


(Colaborou Micaela Orikasa)

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