O caminhão flagrado despejando entulho no fundo de vale do jardim João Turquino (zona oeste de Londrina) durante a tarde de quarta-feira (25) é apenas a 'ponta do iceberg' de um gravíssimo problema ambiental. A Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) descobriu que a área de preservação permanente estava sendo utilizada como aterro clandestino por diversas empresas da cidade. De acordo com estimativas da CMTU, a área comporta mais de 4 mil toneladas de entulho. A companhia e o Conselho Municipal do Meio Ambiente (Consemma) montaram uma força-tarefa para identificar e punir os responsáveis pela série de crimes ambientais descoberta no local. Os trabalhos de apuração tiveram início em reunião realizada durante a tarde desta quinta-feira (26), e também contam com a participação de representantes da Secretaria Municipal do Ambiente (Sema), Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
O gerente de Resíduos da CMTU, Gilmar Domingues Pereira, adiantou que algumas empresas já foram identificadas, mas preferiu não divulgar nomes. "A Sema fez o termo de apreensão do caminhão de ontem e abriu diligências para tentar localizar os responsáveis pelas outras empresas", disse. Segundo ele, a companhia não deve limpar o fundo de vale do jardim João Turquinho, pelo menos por enquanto. "Vamos identificar os responsáveis, que deverão ser multados pelos crimes ambientais e, principalmente, obrigados a recuperarem a área de preservação permanente", destacou.
Já a presidente do Consemma, Roberta Silveira Queiroz, listou uma série de medidas preventivas a serem tomadas para evitar novos descartes irregulares de resíduos em Londrina. "Precisamos fazer com que as empresas não procurem outros locais para despejar os resíduos", explicou. Uma das medidas envolve a instalação de mais Postos de Entrega Voluntária (PEVs) na cidade. "O município tem a responsabilidade de oferecer espaços adequados para os pequenos geradores", afirmou.
Atualmente, Londrina conta com apenas um posto. O espaço foi instalado em dezembro do ano passado no jardim Nova Conquista (zona leste). "Vamos discutir as fragilidades do nosso projeto com o Consemma e começar a captar mais recursos para a instalação de outros PEVs", garantiu o gerente de Resíduos da CMTU, garantindo que o segundo posto será implantado na cidade no segundo semestre deste ano.
As outras medidas preventivas citadas pela presidente do Consemma envolvem a instalação de câmeras de segurança nos pontos que mais recebem entulho, a criação de um canal de comunicação entre os órgãos municipais e as pessoas que moram perto dessas áreas, e a implantação de um sistema de geoprocessamento das caçambas. "Vamos apresentar o nosso plano à Promotoria de Defesa do Meio Ambiente de Londrina e pedir apoio a outros órgãos com o objetivo de garantir a viabilidade das propostas", contou Roberta, admitindo que o município não tem condições financeiras para executar as medidas. "Queremos realizar as iniciativas independentemente do orçamento disponível", completou.