Londrina

Jogadores Anônimos oferece apoio contra o vício em apostas em Londrina

20 dez 2025 às 11:34

Há quatro meses, um grupo discreto, mas carregado de histórias fortes, se reúne semanalmente no Centro de Londrina para enfrentar um problema que cresce em silêncio. As reuniões do JA (Jogadores Anônimos) acontecem no segundo andar da área administrativa da Paróquia Sagrados Corações. O serviço gratuito têm atraído pessoas de diferentes idades, profissões e cidades da região, todas marcadas pelo mesmo ponto em comum: o jogo deixou de ser diversão e passou a controlar a vida.


O grupo de Londrina surgiu da dor de um pai que viu o filho acumular perdas com apostas, especialmente nas plataformas digitais. Ele buscou apoio, encontrou outras pessoas na mesma situação e decidiu organizar o JA na cidade. Hoje são cerca de 40 membros, entre jogadores e familiares. A iniciativa se soma a outras unidades no Paraná, como Maringá, Curitiba e, mais recentemente, Guarapuava. A sede nacional fica no Rio de Janeiro.


As noites de terça-feira são divididas em dois momentos. Em uma sala, ficam os jogadores; em outra, os familiares, no grupo chamado Jog-Anon. A separação é considerada fundamental no processo de recuperação. No fim, os dois grupos se encontram e compartilham reflexões. A regra é clara e respeitada: o que é dito ali não sai dali.


O primeiro contato costuma ser simples e direto. Quem chega recebe um folheto com 20 perguntas que ajudam a identificar o grau de envolvimento com o jogo. Questões como “Você já perdeu horas de trabalho ou da escola por causa do jogo?” ou “Alguma vez pensou em cometer um ato ilegal para financiar apostas?” funcionam como um espelho desafiador. Sete respostas positivas indicam um quadro de jogo compulsivo. A partir daí, começa o caminho dos 12 passos, que unem disciplina, partilha e espiritualidade.


“Espiritualidade é a chave”, resume um dos coordenadores. “Terapia e acompanhamento médico são importantes, mas aqui acreditamos que trabalhar o espírito sustenta a recuperação.” Logo na entrada, cada novo integrante recebe um chaveiro vermelho. É o único entregue sem contrapartida. Os seguintes precisam ser conquistados com tempo e frequência, mudando de cor até chegar ao dourado, símbolo de um ano longe do jogo.


As histórias que circulam nas rodas são duras. Um empresário de 33 anos perdeu o carro, cerca de R$ 70 mil em dinheiro e vendeu todo o estoque da loja de eletrônicos para apostar. Tentou tirar a própria vida. Hoje está em tratamento e não administra mais o próprio dinheiro, tarefa que ficou com familiares. “A luta é diária”, resume.


A distância de 50 quilômetros não é impedimento para um agricultor de 28 anos, morador de uma cidade da Região Metropolitana de Londrina, que toda semana pega a estrada para participar das reuniões. Há três meses no grupo, chega sorrindo, cumprimenta a todos e diz que ali encontrou um lugar seguro para falar, sem julgamentos. “Estou em tratamento, sei que ainda não estou ‘pronto’. A tentação é muito grande. Mas estar aqui é uma alegria. Para cuidar de mim e para ajudar os outros também”.


Leia a reportagem completa na Folha de Londrina


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