O jornalista londrinense Wilhan Santin lançou seu primeiro livro infantil: Leca Leleca e a cambalhota descambalhotada da rã Ranrram. O enredo tem como protagonista uma menina da cidade que mora em um apartamento e não tem muito contato com a natureza. Em um fim de semana, vai acampar em um sítio da família e acaba vivendo uma aventura transformadora.
Pai de duas filhas, Maria Eduarda, de 5 anos e Laura, de um ano e meio, Wilhan diz que a obra foi inspirado na mais velha. "Eu inventava historinhas para contar para ela à noite e inventei essa personagem, a Lela Leleca, que depois acabou se transformando nesse livrinho. Ela [Maria] também é uma menina que vive em apartamento, tem poucas oportunidades de convívio com a natureza, mas também tem bastante curiosidade sobre as coisas, sobre escutar histórias sobre as coisas, e faz bastante bagunça dentro do apartamento, fica pulando no sofá, porque criança precisa gastar energia. Então a Lela Leleca é bastante inspirada na Maria Eduarda sim", diz.
O autor fala do cunho social que o livro traz. "O livro procura transmitir duas mensagens básicas: a primeira, de respeito ao meio ambiente. Eu não sou ambientalista, mas acho importante que a gente saiba entender como é o meio que a gente vive e possa respeitá-lo. E também transmitir essa mensagem de igualdade, de respeito ao próximo. Há algumas mensagens assim no livro".
Em tempos nos quais as crianças estão muito ligadas às tecnologias, Santin acredita na influência dos pais para que as crianças possam ter acesso à leitura. "É importante deixar por perto livros, gibis, para que as crianças possam ler. Eu lembro quando eu era criança. Meu pai e minha mãe não eram ligados à leitura, eram pessoas simples, mas nunca me negavam um dinheirinho para que comprasse um gibi". Ele reforça que o gosto da leitura vem de família. "Tinha um tio, o Gilberto, que era o irmão caçula da minha mãe. Ele assinava os gibis da Turma da Mônica. Então para mim era sempre uma alegria ir na casa da minha avó e poder ler os gibis que o tio Gil deixava lá".
O autor acredita há uma certa competição dos livros com a tecnologia, mas reforça a importância da leitura no desenvolvimento das crianças. "Eu creio que a leitura é muito importante para o futuro delas em qualquer profissão que vão desempenhar. As pessoas estão desaprendendo a escrever, infelizmente, não sabem escrever o básico, e isso é por falta de leitura. Veja que os gibis, por exemplo, do Maurício de Souza, que eu gostava muito, são aulas de vírgula".
Apesar de não se considerar escritor, o autor já possui algumas obras no currículo. "Eu sou jornalista, nem me apresento muito como escritor. Tenho medo dos escritores ficarem bravos", brinca. Wilhan já escreveu um livro de crônicas e outros três livros empresariais. Dentre as biografias, Santin destaca a obra "O Brasil Possível", uma biografia de Helbert Bartz, precursor do plantio direto. "É um livro que tá fazendo um certo sucesso", afirma.
Depois da primeira publicação, Wilhan disse que pretende escrever mais. "Não sei quando eu vou ter tempo para isso, mas quero sim. Quem gosta de escrever, quer sempre estar escrevendo, né? O importante é você ser autor. Se vai ter destaque ou não, depende do empenho de cada um, de como as coisas vão acontecer". Ele incentiva outros aspirantes a escreverem também. "Quem tem vontade de escrever, tem que meter a cara. Hoje é fácil você conseguir imprimir, fazer sua própria edição, comercializar. Quem tem sonho, tem que correr atrás de sonho. Só você pode fazer acontecer as suas coisas. Eu não tenho sonho de ser um grande escritor infantil, mas gosto de escrever e fiz. Importante é você ir lá e fazer", ressalta.
*sob supervisão da repórter Fernanda Circhia