Quase o dobro da expectativa
Moradores de bairros da Zona Sul de Londrina protestaram, nesta quinta-feira (13), contra a construção de um edifício de 18 andares previsto para a esquina da avenida Harry Prochet com a rua Francisco Marcelino da Silva, no Parque Residencial Itatiaia (Zona Sul). A comunidade questiona os impactos do empreendimento em uma área que é ocupada predominantemente por casas e cobra respostas da Prefeitura de Londrina. Eles estiveram, durante a tarde, na sede do Ministério Público e foram ouvidos por uma promotora.
A manifestação é liderada pela AMVT (Associação de Moradores do Vale dos Tucanos), que acompanha de perto o avanço da obra e cobra uma posição do poder público. Para os moradores, a construção do empreendimento representa uma mudança na característica da região e pode trazer impactos para o trânsito, a infraestrutura e o meio ambiente.
Colaboradora da associação, Maria Cecília Loures disse ao Portal Bonde que a comunidade também reclama da falta de diálogo com a administração municipal. Segundo ela, os moradores esperam que as autoridades analisem os questionamentos antes que o empreendimento avance ainda mais.
"A nossa expectativa é que o Ministério Público se posicione o quanto antes, pois a obra está avançada. Aguardamos também a resposta da Prefeitura que até agora não abriu diálogo com os moradores", disse. "A questão é a invasão no zoneamento residencial, com impactos no trânsito e falta de segurança, fora a perda da privacidade, tempo de sol e saúde", complementou Loures.
O EMPREENDIMENTO
O projeto é da Construtora Vimarra e prevê um edifício com 18 pavimentos, 68 unidades habitacionais e 139 vagas de garagem. Um dos principais pontos de preocupação da comunidade é o acesso de veículos, planejado para a rua Francisco Marcelino da Silva, uma via local de mão dupla com cerca de 9 metros de largura.
Os moradores avaliam que a circulação de mais de uma centena de veículos vinculados ao empreendimento pode aumentar os riscos de congestionamentos e acidentes em uma rua que, segundo eles, não teria estrutura compatível com o novo fluxo.
A comunidade também questionou, no documento enviado ao MP, a ausência de estudos de impacto relacionados ao empreendimento. Entre as cobranças está a decisão da Prefeitura de permitir o prosseguimento da tramitação sem a exigência do EIV (Estudo de Impacto de Vizinhança).
Outro ponto levantado pelos locais envolve a proximidade do terreno com o Córrego Tucanos. Relatos encaminhados ao Ministério Público também apontam preocupações com possíveis passivos ambientais e com o histórico de aterramento da área.
PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO
A 20ª Promotoria de Justiça de Londrina, responsável pelas áreas de Meio Ambiente, Habitação e Urbanismo, instaurou, em abril deste ano, um procedimento administrativo para analisar os questionamentos apresentados pela comunidade.
O Ministério Público solicitou informações relacionadas ao licenciamento ambiental da área, à existência de nascentes e a possíveis passivos de contaminação do solo. As requisições foram encaminhadas a diferentes setores da Prefeitura de Londrina, incluindo o gabinete do prefeito Tiago Amaral, a SMOP (Secretaria Municipal de Obras e Pavimentação), o IPPUL (Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina) e a Sema (Secretaria Municipal do Ambiente).
A reportagem entrou em contato com a Prefeitura de Londrina no fim da tarde desta quinta-feira e aguarda resposta.