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Legítima defesa

Mulher filmada assassinando ex-namorado é absolvida em Londrina

Heloísa Gonçalves - Redação Folha
28 jan 2026 às 14:47

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Arquivo FOLHA
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Tais Matias Teixeira, 27, que respondia pelo crime de homicídio qualificado por motivo fútil do ex-namorado Lucas Vinícius Lourenço Vieira - na época, com 25 anos - foi absolvida pelo TJPR (Tribunal de Justiça do Paraná). Os desembargadores da 1ª Câmara Criminal entenderam, por unanimidade, que a mulher agiu em legítima defesa ao golpear Vieira com uma faca em sua residência, na zona oeste de Londrina, no dia 29 de setembro de 2024, o que resultou na morte do ex-companheiro ainda no local. A sentença foi dada na última quinta-feira (22).


Ela foi presa em flagrante no mesmo dia e contou no interrogatório que o relacionamento do casal, junto há quatro anos, era conturbado. Foi transferida para a Cadeia Pública de Santo Antônio da Platina (Norte Pioneiro), onde permaneceu até março de 2025, quando começou a responder o processo em liberdade usando tornozeleira eletrônica. Com a decisão da última semana, não irá passar por júri popular, retirou o dispositivo de monitoramento e busca reaver a guarda da filha, de sete anos de idade. Hoje, atua no ramo de serviços gerais.

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Histórico de violência


Na denúncia do MPPR (Ministério Público do Paraná) contra Teixeira, havia sido relatado que a motivação do crime foi fútil, considerando que “a denunciada não aceitava o fato de o ofendido não mais querer manter relacionamento amoroso estável com ela”.


Conforme a advogada da mulher, Aline Capocci, Teixeira havia registrado três boletins de ocorrência por violência doméstica contra o namorado.


O mais recente foi feito em 9 de setembro de 2024, 20 dias antes do homicídio. “Foi uma ocasião em que ela foi agredida e a própria população teria acionado a Polícia Militar para socorrer ela e realizar a prisão dele, e mesmo o Lucas sob monitoração eletrônica, em nenhuma das vezes que a polícia foi acionada ele foi capturado, todas as vezes, ele fugiu. Nessa última, ela foi internada na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do Jardim Sabará”, salientou a advogada. Segundo Teixeira, o uso da tornozeleira era necessário porque Vieira respondia a uma acusação de tráfico de drogas.


Foto: Heloísa Gonçalves

Homicídio foi gravado


Capocci explicou que no dia 29, já com o relacionamento rompido, Vieira foi até a casa da ex-companheira perguntar por ela, tendo encontrado somente a irmã de Teixeira, e ameaçou uma agressão. Quando a dona da residência chegou, pediu para a irmã gravar a interação, buscando provas para “dar um basta” na situação, no caso de ela realmente ser agredida novamente. O homem estava com aparência tranquila, com as mãos nas costas, “exatamente porque sabia que estava sendo filmado”, considerou a advogada.


Em determinado momento, “ele começa a ter sinais de que ia bater nela, ela pega a faca com o objetivo de se defender, que fica sempre voltada com a ponta para baixo, ela nunca vira a faca no sentido de que iria golpear o Lucas. Ela resolve chamar a polícia desesperada, fala ‘vocês não vão vir? Ele vai acabar fugindo de novo, toda vez é isso’, aí ele bate na mão dela, o celular cai no chão, quebra e os dois acabam entrando numa luta corporal”, pontuou.


Segundo Capocci, Vieira caiu de costas para sua cliente, momento em que ela poderia ter aproveitado para golpeá-lo se quisesse, “mas não, ela fica o tempo todo com a faca virada para o lado contrário”. Quando o homem levantou, cerrou os dois punhos, “avançou para cima dela e a faca acaba acertando nele, um único golpe certeiro que, infelizmente, acaba levando ao óbito”.


A mulher pegou um pano para tentar estancar o sangramento no tórax de Vieira, demonstrando que não havia intenção de matar, e foi presa pela equipe policial acionada ainda durante a discussão.


No interrogatório, mostrou a lesão no abdômen que sofreu durante a luta, com a advogada informando que só passou por exame de corpo de delito dias depois, “após muita insistência da defesa”.


Evidente o desespero


As imagens passaram por uma perícia técnica, que embasaram a decisão do relator do caso, o desembargador Adalberto Jorge Xisto Pereira, considerando ainda o histórico de violência doméstica sofrido. No documento, lê-se que “está perfeitamente claro que a recorrente agiu em legítima defesa, pois estava sofrendo injusta agressão iniciada pelo ofendido”.


Pereira também pontuou que foi “evidente o desespero da recorrente ao perceber a gravidade da lesão suportada pelo ofendido”, que gritou “imediatamente” por socorro e colocou um pano sob o ferimento. Além da absolvição, as medidas cautelares contra Teixeira foram revogadas, com a tornozeleira eletrônica que portava há dez meses removida.

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Capocci contou que os próximos passos para sua cliente são recuperar a guarda da filha, retirada provisoriamente a pedido do MP durante o processo, e retomar a vida. “Em razão de tudo e da grande proporção que as imagens tiveram, ela se tornou uma pessoa pública de forma negativa. Ela vem buscando se restabelecer profissionalmente, voltar a ter uma vida normal e ser enxergada perante a sociedade como uma cidadã e não como assassina, como vinha sendo julgada todo esse tempo”.

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