Mais do que uma celebração marcada pelo dia 25 de dezembro, o Natal é entendido pelas igrejas cristãs como o momento em que Deus entra de forma concreta na história da humanidade. Para católicos e evangélicos, a data representa o momento em que Deus se aproxima da humanidade por meio do nascimento de Jesus Cristo, expressão central da fé cristã e sintetizada no trecho bíblico que afirma que “o Verbo se fez carne e habitou entre nós”.
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Dom Geremias Steinmetz, arcebispo de Londrina, explica que o período do Natal vai muito além do dia 25 de dezembro, já que começa com o Tempo do Advento, com as quatro semanas que antecedem o nascimento de Jesus Cristo.
Na sequência vem a celebração do Natal, momento em que a igreja está em comemoração, e, por fim, um período de duas semanas que marca a Festa da Epifania, com a apresentação do Menino Jesus aos Santos Reis.
O religioso explica que esse período compreende a manifestação de Deus ao mundo, não apenas através das mensagens ou das profecias que falam do nascimento do Salvador, mas como a encarnação de Deus na terra. “O Evangelho usa, tanto em Lucas quanto em João, a expressão: “o Verbo se fez carne e habitou entre nós”. Portanto, Deus entrou na história da humanidade”, detalha.
Um dos personagens mais importantes de todo esse período, na visão do arcebispo, é Nossa Senhora, mãe do filho de Deus, que permitiu que o verbo se fizesse carne. São José, conhecido como o pai adotivo de Jesus, também teve papel fundamental nesse momento histórico para a igreja, assim como profetas como João Batista, Amós e Isaías, que anunciaram a vinda do Salvador. “Essa é a manifestação total do amor de Deus por nós, tendo enviado o seu filho ao mundo para a nossa salvação”, afirma.
'Paz é uma necessidade'
O Natal também é uma manifestação cultural, como os presépios, as poesias e a arte. “Tudo isso para manifestar a alegria com a qual o mundo recebeu o filho de Deus”, afirma dom Geremias.
Ao celebrar o Natal e o nascimento de Jesus, a paz é um dos elementos mais importantes, tema que foi abordado pelo Papa Leão XIV na mensagem para a Jornada Mundial da Paz que acontece no dia 1° de janeiro de 2026.
“Ele fala sobre a paz como uma necessidade, falando sobre a gênese, sobre como ela nasce e quais são os esforços que nós devemos continuar fazendo para que a paz efetivamente consiga falar mais alto do que as armas, do que as guerras, do que a violência, através das quais se decidem muitas coisas no mundo”, explica.
Dom Geremias Steinmetz afirma que a igreja está em festa, sendo a grande anunciadora da entrada de Jesus na história da humanidade. “Nós não falamos de Deus mais de maneira distante, para além das nuvens, mas falamos de Deus concretamente porque, afinal de contas, Ele se fez uma pessoa”, esclarece.
Expectativa e vigilância
Para os fiéis, esse é um tempo de expectativa e também de vigilância. Steinmetz explica que a expectativa vem da alegria do nascimento do Menino Jesus, assim como das famílias reunidas, dos presentes entregues e do período de férias e festejos. “Isso é fruto do Natal”, garante.
Por outro lado, o Natal também representa a preparação da humanidade e até mesmo da igreja para a segunda vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo, o que o religioso afirma que não é possível saber quando.
“Nós com a nossa boa prática da fé e do Evangelho podemos até apressar o dia em que o Senhor virá para julgar os vivos e os mortos. Isso seria como um novo Natal, que Deus virá para formalizar, garantir e fazer acontecer em sua totalidade o seu reino de paz, alegria e esperança para toda a humanidade”, conta.
Ele destaca que a primeira dimensão é mais festiva e de alegria, já a segunda foca na evangelização. “Temos que preparar o mundo, a nossa própria vida, a casa, a nossa realidade para que, quando o Senhor vier, não nos encontre dormindo, mas vigilantes”, afirma.
Caridade
O arcebispo também destaca a caridade como um dos pontos mais importantes do Natal, pensando sempre nas pessoas que mais precisam, como no caso dos afetados pelo tornado em Rio Bonito do Iguaçu (Sudoeste), em novembro.
Grupos religiosos devem ir até o município para levar esperança, fé e caridade para as famílias atingidas pelos fortes ventos. “O coração de Deus foi um coração caridoso ao nos dar o seu filho Jesus e nós, testemunhando a sua palavra, também precisamos ser caridosos”, afirma.

Marco decisivo da revelação cristã
O reverendo Emerson Mildenberg, coordenador do curso de teologia da UniFil (Centro Universitário Filadélfia) também aponta em sua fala a importância que o Natal tem para todos os evangélicos, já que é o momento em que Deus entra na história.
“Não se trata de uma metáfora religiosa nem de um símbolo espiritual abstrato, mas da proclamação de um acontecimento decisivo: Deus entrou na história humana de forma concreta, histórica e irrevogável. Para a fé evangélica, especialmente no horizonte da tradição reformada, o Natal permanece um marco decisivo da revelação cristã. Ele não se reduz a um símbolo cultural nem a uma celebração litúrgica periférica, mas aponta para o centro da fé, a saber, a pessoa de Jesus Cristo e a obra redentora realizada por meio de sua encarnação, morte e ressurreição”, afirma o religioso.
Nascimento e ressurreição
Mildenberg explica que o nascimento de Jesus não pode ser compreendido de forma isolada, já que o Cristo que nasce é o mesmo que assume o sofrimento humano, enfrenta a rejeição, entrega-se à morte e é ressuscitado pelo poder de Deus.
“O nascimento e a ressurreição de Jesus não constituem eventos desconectados, mas expressões de um único e indivisível movimento salvífico, no qual Deus age soberanamente em favor da humanidade. É justamente nessa unidade do mistério cristológico que reside a importância do Natal para os evangélicos”, destaca.
O reverendo aponta que celebrar o Natal é confessar que a salvação não procede do esforço humano nem da elevação moral ou espiritual do indivíduo, mas da iniciativa graciosa de Deus. “É afirmar que a esperança não nasce da capacidade humana de alcançar o divino, mas da decisão divina de aproximar-se do humano. Deus vem ao encontro do ser humano em sua realidade concreta, e não o contrário”, aponta.
Paz e prosperidade
Com o ano de 2025 na reta final e 2026 despontando como um novo tempo, Emerson Mildenberg diz que o Natal se apresenta como um horizonte de esperança e sentido. “Que o ano novo seja vivido à luz dessa confiança: que a graça divina sustente os passos, oriente os projetos e se traduza em vida, justiça, paz e prosperidade que geram plenitude. Firmados em Cristo, seguimos adiante certos de que Aquele que entrou na história permanece soberano em cada novo tempo.”
Cronograma de missas da Igreja Católica :
Catedral Metropolitana de Londrina
24 de dezembro: às 17h e às 19h30
25 de dezembro: às 10h30
31 de dezembro: às 18h30
1° de janeiro: às 18h30
Todas as missas serão celebradas pelo arcebispo Dom Geremias Steinmetz, exceto a das 19h30 no dia 24 de dezembro.
Santuário Nossa Senhora Aparecida de Londrina
24 de dezembro: às 7h, 10h, 15h (Missa da Véspera) e às 20h (Missa do Galo)
25 de dezembro: às 9h e às 18h
31 de dezembro: às 7h, 10h, 15h e às 20h
1° de janeiro: às 9h e às 18h
Além das missas, a programação conta com presépio, decoração natalina e mini mundo aberto todos os dias, das 6h às 21h.
Paróquia São Vicente de Paulo
As missas nos dias 24, 25 e 31 de dezembro e no dia 1° de janeiro serão celebradas às 19h
Paróquia Rainha dos Apóstolos
24 de dezembro: às 20h (Vigília de Natal)
25 de dezembro: às 8h, 10h e às 19h (Solenidade do Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo)
31 de dezembro: às 20h (Missa em ação de graças pelo ano de 2025)
1° de janeiro: às 8h, 10h e às 19h (Solenidade da Santa Mãe de Deus)