Com base na lei principal do novo Plano Diretor de Londrina e nas leis municipal e federal de saneamento, a ONG Meio Ambiente Equilibrado (MAE) apresentou impugnação ao edital de limpeza urbana aberto pela Companhia Municipal de Transito e Urbanização (CMTU). O documento foi protocolado na sexta-feira (20).
Por até R$ 121 milhões, a CMTU quer entregar o serviço, por cinco anos, para a empresa ganhadora. Pelo valor, a companhia agregou no mesmo edital – serviços hoje em contratos separados – a coleta de lixo, a varrição de ruas, lavagem de áreas publicas (atualmente já com a empresa MM), conteinerização (novo serviço) e educação ambiental. A ONG MAE quer a suspensão do edital, rediscussão pública do modelo e realização de audiências sobre os contratos da limpeza urbana.
Receba nossas notícias NO CELULAR
WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp.Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.
"Uma enormidade de recursos assim não pode ser investida sob escolha única e exclusiva da CMTU. Ainda mais sem qualquer tipo de explicação e debates públicos sobre os motivos de escolher tais modelos", afirma o advogado Camillo Vianna, da ONG MAE. "Consolidar serviços realizados diariamente pelo Município de Londrina, de fato, trata-se de novo formato contratual que jamais passou por discussão ou um único debate coletivo", diz trecho do pedido de impugnação.
O artigo 11, inciso V, da Lei Municipal de Saneamento (10967/2010) enfatiza a necessidade de mecanismos de controle social para elaboração e acompanhamento dos serviços de abastecimento, esgotamento sanitário, limpeza urbana e manejo dos resíduos sólidos, dentre outros.
O Plano Diretor Participativo de Londrina (10637/2008) também garante que os cidadãos influenciem legitimamente os norteamentos das políticas urbanas, inclusive a partir da consulta aos conselhos municipais – o que não foi feito no caso dos Conselhos de Saúde, de Meio Ambiente (Consemma) e Conselho Municipal das Cidades (CMC). Até o momento, ninguém foi ouvido.
"A CMTU está tecnicamente desmantelada. Sequer tem funcionários e equipamentos suficientes para monitorar a qualidade dos serviços e contratos. É descabível o desprezo dos órgãos municipais ao compartilhamento e discussão dos assuntos do Município, pagos com nossos recursos" , afirma o advogado da ONG MAE.
"Hoje as leis municipais atribuem à sociedade a discussão direta do modelo de gestão. O Plano Diretor de Londrina e normas complementares já dão suporte legal para a sociedade decidir o que ela quer para o futuro da cidade. Ao Poder Executivo, cada vez mais, cabe o papel de executar com eficiência as políticas definidas pela coletividade", completa o ambientalista.
"Infelizmente, o atual gestor ainda não entendeu. Falta transparência e a sociedade não se contenta mais com as meras apresentações de projetos formais como tem ocorrido. Para Londrina, assim não serve."