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Julgamento ocorre em Maringá

Pai de Eduarda Shigematsu confessa ao Tribunal do Júri ter matado a filha

Douglas Kuspiosz - Grupo Folha
17 set 2026 às 15:21

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Divulgação/Polícia Civil
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Ricardo Seidi, réu pela morte da própria filha, Eduarda Shigematsu, de 11 anos, confessou na noite desta quarta-feira (16), durante seu interrogatório no Tribunal do Júri de Maringá (Noroeste), ter matado a menina no dia 24 de abril de 2019, em Rolândia (Região Metropolitana de Londrina).


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A informação foi confirmada por familiares que acompanham o júri popular, pela assistência de acusação e pela defesa de Ricardo. Ele responde por homicídio triplamente qualificado por asfixia, recurso que dificultou a defesa da vítima e feminicídio, além de ocultação de cadáver e falsidade ideológica. Ricardo está preso desde 28 de abril de 2019, data em que o corpo da criança foi encontrado enterrado em um imóvel da família.


- LEIA TAMBÉM: Pai e avó de Eduarda Shigematsu vão a júri popular nesta quarta-feira em Maringá


Essa é a primeira vez que Ricardo admite ter matado a filha. Em depoimento à Polícia Civil, logo após a prisão, ele alegou ter encontrado Eduarda morta, enforcada, e que, desesperado e com medo de ser responsabilizado, decidiu enterrar o corpo. Essa versão vinha sendo sustentada desde então e foi citada pela defesa, inclusive, pouco antes do início do júri.


O laudo de necropsia, no entanto, concluiu que a morte ocorreu por esganadura. Um documento mais recente da Polícia Científica, juntado ao processo em agosto de 2025, reforçou essa conclusão e afastou a hipótese de suicídio, apontando a presença de “estigmas digitais no pescoço da vítima, equimose e escoriações do queixo”.


A reportagem apurou que, durante o interrogatório, Ricardo confessou o assassinato, mas não deu mais detalhes sobre o crime e, em seguida, optou por permanecer em silêncio.


Após o interrogatório, o julgamento foi suspenso e será retomado nesta quinta-feira (17), a partir das 8h30, para os debates entre acusação e defesa e, na sequência, a votação dos jurados.


A avó de Eduarda, Terezinha de Jesus Guinaia, também é ré no processo, pelos crimes de ocultação de cadáver e falsidade ideológica. Segundo a denúncia, ela já sabia da morte da neta quando registrou um boletim de ocorrência de desaparecimento, em 25 de abril de 2019. A defesa nega.


REPERCUSSÃO


Em nota encaminhada à FOLHA, o advogado Hugo Esteves, assistente de acusação, classificou a declaração de Ricardo em plenário como um dos momentos mais relevantes do julgamento. “Ao ser questionado, ele respondeu de forma expressa: ‘sim, confesso tudo’ e, imediatamente depois, informou que permaneceria em silêncio”, afirmou.

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“Depois de mais de sete anos de espera, ouvir essa declaração dentro do Tribunal do Júri tem um peso muito grande para a família da Eduarda. Evidentemente, o julgamento ainda não terminou e agora cabe aos jurados, com base em tudo o que foi produzido no processo e apresentado em plenário, dar a resposta final a este caso”, acrescentou.

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