Ricardo Seidi, réu pela morte da própria filha, Eduarda Shigematsu, de 11 anos, confessou na noite desta quarta-feira (16), durante seu interrogatório no Tribunal do Júri de Maringá (Noroeste), ter matado a menina no dia 24 de abril de 2019, em Rolândia (Região Metropolitana de Londrina).
A informação foi confirmada por familiares que acompanham o júri popular, pela assistência de acusação e pela defesa de Ricardo. Ele responde por homicídio triplamente qualificado por asfixia, recurso que dificultou a defesa da vítima e feminicídio, além de ocultação de cadáver e falsidade ideológica. Ricardo está preso desde 28 de abril de 2019, data em que o corpo da criança foi encontrado enterrado em um imóvel da família.
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Essa é a primeira vez que Ricardo admite ter matado a filha. Em depoimento à Polícia Civil, logo após a prisão, ele alegou ter encontrado Eduarda morta, enforcada, e que, desesperado e com medo de ser responsabilizado, decidiu enterrar o corpo. Essa versão vinha sendo sustentada desde então e foi citada pela defesa, inclusive, pouco antes do início do júri.
O laudo de necropsia, no entanto, concluiu que a morte ocorreu por esganadura. Um documento mais recente da Polícia Científica, juntado ao processo em agosto de 2025, reforçou essa conclusão e afastou a hipótese de suicídio, apontando a presença de “estigmas digitais no pescoço da vítima, equimose e escoriações do queixo”.
A reportagem apurou que, durante o interrogatório, Ricardo confessou o assassinato, mas não deu mais detalhes sobre o crime e, em seguida, optou por permanecer em silêncio.
Após o interrogatório, o julgamento foi suspenso e será retomado nesta quinta-feira (17), a partir das 8h30, para os debates entre acusação e defesa e, na sequência, a votação dos jurados.
A avó de Eduarda, Terezinha de Jesus Guinaia, também é ré no processo, pelos crimes de ocultação de cadáver e falsidade ideológica. Segundo a denúncia, ela já sabia da morte da neta quando registrou um boletim de ocorrência de desaparecimento, em 25 de abril de 2019. A defesa nega.
REPERCUSSÃO
Em nota encaminhada à FOLHA, o advogado Hugo Esteves, assistente de acusação, classificou a declaração de Ricardo em plenário como um dos momentos mais relevantes do julgamento. “Ao ser questionado, ele respondeu de forma expressa: ‘sim, confesso tudo’ e, imediatamente depois, informou que permaneceria em silêncio”, afirmou.
“Depois de mais de sete anos de espera, ouvir essa declaração dentro do Tribunal do Júri tem um peso muito grande para a família da Eduarda. Evidentemente, o julgamento ainda não terminou e agora cabe aos jurados, com base em tudo o que foi produzido no processo e apresentado em plenário, dar a resposta final a este caso”, acrescentou.