Será apresentado à prefeitura, nos próximos dias, o projeto da nova taxiway do Aeroporto Governador José Richa, de Londrina, doado pelo industrial Alfons Gardemann, presidente da empresa Pado. A iniciativa tem o objetivo de acelerar a implantação da pista de taxiamento, considerada estratégica para ampliar a capacidade operacional do terminal e reduzir custos para as companhias aéreas.
A taxiway é a via que conecta a pista principal aos terminais e hangares, permitindo que as aeronaves façam manobras em solo com mais segurança e eficiência. Atualmente, sem essa estrutura, os aviões precisam manobrar na própria pista de pouso e decolagem, o que impede novas operações simultâneas e reduz a capacidade técnica do aeroporto.
Em entrevista à FOLHA nesta sexta-feira (20), Gardemann afirmou que o projeto foi finalizado pela empresa de engenharia contratada. A obra, segundo ele, terá impacto semelhante ao do ILS (sistema de pouso por instrumentos), instalado no fim de 2025.
“A taxiway vai aumentar a frequência de voos, assim como o ILS. O aeroporto de Londrina era evitado pelas companhias aéreas, porque os aeroportos que não têm ILS possuem uma taxa de seguro mais elevada por pouso. Esse seguro é cobrado por ciclo. Sem o ILS, há um risco maior”, diz, explicando que essa condição encarece as passagens.
Ele respalda o investimento da empresa como uma contribuição para o transporte aéreo de Londrina e região, que "ganhará muito" com a novidade.
"Sem a taxiway, o avião precisa ser manobrado na pista. Isso é custo. O retorno não é para mim, é para toda a comunidade”, afirma, classificando a doação como um "investimento razoável" da Pado, mas preferiu não divulgar valores. “A intenção é incentivar mais pessoas a colaborar com a administração pública”, garante.
O projeto foi desenvolvido pela MSE Engenharia, com cooperação técnica da concessionária do aeroporto Motiva, que forneceu documentos e acesso ao sítio aeroportuário. Segundo o empresário, a previsão de custos da obra deve ser apresentada no começo da próxima semana, mas já é estimada em R$ 40 milhões.
Questionado sobre as expectativas para o financiamento da execução, Gardemann afirma que a responsabilidade será do poder público estadual. “Quem vai pagar a fatura e todo o investimento é o governo do Paraná. Eu, francamente, duvido que o Governo Federal coloque recursos nessa obra, porque a penúria deles é enorme. Acho que o governador Ratinho Jr. é uma pessoa de muito bom senso e sabe da necessidade.”
Ele também avalia que a ampliação dos horários de voos em Londrina é reflexo da instalação do ILS e que a taxiway deve ampliar ainda mais essa tendência. “A expectativa é que, com o taxiway, os voos de Londrina sejam incrementados. A redução no preço das passagens é a consequência direta”, diz Gardemann.
A Prefeitura de Londrina informou, por meio de nota, que aguarda o recebimento oficial do projeto para anunciar os detalhes à comunidade. Segundo o Executivo, há expectativa de que a obra seja feita o quanto antes para melhorar a infraestrutura do aeroporto e acelerar o processo de desenvolvimento da cidade.
Após a entrega e aprovação do projeto, o próximo desafio será viabilizar os recursos para execução da obra, seja por meio de reequilíbrio do contrato de concessão, apoio do Governo do Estado ou eventual participação da União. Em entrevista à FOLHA em 12 de fevereiro, o prefeito Tiago Amaral (PSD) falou sobre a complexidade das negociações.
“O que a gente quer é que o governo federal arque, caso isso seja necessário, mas temos a sinalização e a garantia, por parte do governo do Estado, de que estará disponível para nos ajudar a financiar esse recurso.”
Projeto da taxiway
A reportagem teve acesso à íntegra do projeto desenvolvido pela MSE Engenharia. Para dimensionar o pavimento da nova taxiway, o projeto levou em conta quais aeronaves operam atualmente no Aeroporto de Londrina e quantas decolagens cada uma faz por ano. Ao todo, nove modelos foram considerados, incluindo aeronaves de médio porte como o Airbus A320neo e o Boeing 737-800, além de aviões regionais como o ATR 72-500 e jatos da família Embraer E195.
O modelo mais crítico para o cálculo estrutural foi o Airbus A321neo, por ter maior peso máximo de decolagem, chegando a 97,4 toneladas. Mesmo com menor número de partidas anuais em comparação ao A320neo, é ele que mais exige da estrutura do pavimento.
Somadas, as projeções indicam milhares de partidas por ano. Apenas o A320neo, por exemplo, foi estimado em 3.625 decolagens anuais. Esses números foram projetados para um horizonte de 20 anos e serviram de base para calcular a espessura das camadas do pavimento e a capacidade da taxiway de suportar o tráfego sem comprometer a vida útil.