O volume elevado de chuva registrado desde sábado (7) em Londrina provocou alagamentos, acúmulo de lama em vias públicas e danos em diferentes regiões da cidade. Segundo o secretário de Obras, Otávio Gomes, a situação mobilizou equipes da prefeitura ao longo do fim de semana e tende a ser cada vez mais frequente. A previsão é que a chuva continuará durante a semana.
Gomes explica que a chuva começou de forma repentina ainda durante a tarde de sábado e causou impactos imediatos em áreas públicas, como na Avenida Presidente Castelo Branco (zona oeste), onde há obras de pavimentação em andamento. Mesmo com medidas preventivas de drenagem, a força da água alterou o fluxo previsto e provocou grande acúmulo de barro.
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“O volume foi significativo. No sábado, a chuva pegou todo mundo de surpresa, não havia uma previsão clara de que haveria uma chuva volumosa da forma como foi e de maneira pontual”, afirma.
“Nós já havíamos até deixado a obra com previsão de drenagem para não causar tantos estragos na rotatória da Avenida Castelo Branco, mas a água toma um curso, dependendo da força com que vem, um pouco diferente daquele que a gente tinha traçado”, explica, complementando que quando as equipes da pasta chegaram ao local, já havia um grande volume de barro acumulado.
No sábado, segundo ele, o trabalho durou até o final da noite, próximo ao início da madrugada, concentrado principalmente na limpeza das vias e na reorganização de toda a parte de drenagem no local.
A chuva retornou na noite de domingo (8), sendo que nesse caso já havia a previsão. O volume de chuva, em um período de 10 horas, foi de cerca de 150 milímetros em alguns pontos da cidade, superior a média histórica do mês de março.
Com isso, a chuva impactou vias como a Avenida Curitiba, na zona norte, e a Avenida das Laranjeiras, na zona leste e em áreas rurais, como nas estradas do Limoeiro, Periquitos e Pioneiros. A chuva também voltou a causar o acúmulo de água na Avenida Presidente Castelo Branco.
Gomes destaca que grande parte dos problemas causados pelas chuvas só são identificados quando eles já estão acontecendo. Segundo ele, dezenas de bocas de lobo foram desentupidas na segunda-feira (9) após serem identificadas ao longo do fim de semana.
O secretário destaca que a prefeitura tem uma parceria com a Defesa Civil do Paraná em projetos de prevenção de enchentes. “Nós estamos cadastrando diversos pontos da cidade que já têm projetos de ampliação de galerias, uma vez que fenômenos como esse vão ser cada vez mais frequentes”, aponta, citando estudos que apontam que a região de Londrina, que margeia o Trópico de Capricórnio, vai receber grandes volumes de chuva em pontos concentrados e um curto espaço de tempo.
Segundo Otávio Gomes, parte dos problemas foi causada por águas que vieram de loteamentos e obras particulares. Os proprietários foram notificados e já providenciaram as correções.
Estradas rurais
Nesta terça-feira (10), apesar da chuva ao longo da noite, a situação está mais controlada, com apenas um ponto de lama na via causado por um terreno particular em que o dono já está sendo notificado. “De resto, todos os pontos que foram identificados ontem foram sanados pelas empresas e nós, como poder público, também fizemos as devidas correções”, aponta, citando as obras nas ruas Grácia Castilho Pagan e na Aniceto Espiga, ambas na zona oeste, e que impactam diretamente a Avenida Presidente Castelo Branco.
Em relação às estradas rurais, Gilmar Pereira, secretário de Meio Ambiente, explica que a Fazenda Nata, na Estrada do Limoeiro, foi uma das mais atingidas pelas chuvas. Como a região é banhada pelo Ribeirão Cambezinho, que nasce em Cambé, às margens da PR-445, toda a chuva que precipita ao longo da bacia acaba passando próximo à Fazenda Nata e a Estrada Shalon, onde houve o transbordamento em uma das pontes.
“O volume de água era tamanho que passou por cima da estrada”, explica, complementando que a passagem de pedestres e veículos foi restabelecida ainda durante a tarde desta segunda-feira.
Além disso, o secretário conversou com a reportagem poucos minutos antes de se deslocar até a região sul do município, nos distritos de Guaravera, São Luís e Taquaruna, onde houve registros de problemas causados pelas chuvas.
Em Taquaruna, segundo ele, a informação prévia é de que o ônibus não consegue acessar a vila por conta da situação da estrada.
A reportagem entrou em contato com a Defesa Civil de Londrina e aguarda um posicionamento.
Aeroporto
No Aeroporto Governador José Richa, em Londrina, a chuva impactou dois voos na manhã desta terça-feira, segundo a concessionária Motiva. Um voo da Latam, proveniente de Guarulhos, sofreu atraso de 53 minutos. A aeronave tentou pousar pela cabeceira 13, que não conta com ILS, arremeteu, depois retornou e pousou pela cabeceira 31 com auxílio do ILS. O avião pousou em Londrina às 10h53.
Já uma aeronave Azul, que vinha de Campinas, com pouso programado para 10h35, arremeteu pela cabeceira 13 e não tentou novamente, alternando para o Aeroporto Silvio Name Júnior, em Maringá. Os passageiros estão retornando para Londrina por via terrestre.