Londrina

Sem novo concurso, creches da UEL vão fechar turmas em 2018

06 jun 2017 às 15:33

O cenário é de desespero para os pais de 80 crianças que estudam nas creches da Universidade Estadual de Londrina (UEL), uma no campus e outra próximo ao Hospital Universitário (HU). Quatro turmas de berçários e pré-escolas, consideradas, respectivamente, como E1 e E6, fecharão em 2018. O motivo é a não realização de concurso público para a renovação de seis cargos de professores pelo governo estadual. O contrato com as profissionais atuais vence em 18 de janeiro do ano que vem.

Embora os pais já saibam da notícia, o comunicado oficial será feito em uma reunião às 12h desta quarta-feira (7), no Centro de Letras e Ciências Humanas (CLCH) da UEL. Para algumas mães, a exemplo de Giselle de Lima da Cruz, os efeitos do fechamento de turmas é desanimador. De licença-maternidade, ela ainda carrega nos braços a segunda filha, de apenas dois meses. No início de abril, tentou uma vaga para a pequena, mas desistiu quando soube do fechamento.


"Não tenho condições de pagar uma creche particular. A mensalidade passa de R$ 900", disse Giselle. Para ajudar nas despesas, a UEL desconta 3% na folha de pagamento de cada servidor que tem um filho estudando nas creches. "Meu marido é servidor da Casa de Cultura. A gente ficaria em paz [se a filha tivesse conseguido uma vaga], porque sabe que o atendimento é muito bom", acrescentou.


Segundo a presidente da Associação de Pais da Centro de Educação Infantil (CEI) UEL, Maristela Cristina Martins, 30 bebês de seis meses até um ano são atendidos pelas pedagogas em período integral no berçário. "Eles tomam banho, se alimentam, tomam leite e recebem um aprendizado de qualidade". Para os alunos da E6, a última turma antes do primeiro ano do ensino fundamental, os prejuízos também são grandes. "Não é só tirar a criança da UEL. É uma desvalorização [por parte do governo] da universidade, dos profissionais que trabalham nas creches e dos servidores que matriculam seus filhos."


A diminuição do número de professoras nas creches gera polêmica desde o ano passado, quando o governador Beto Richa (PSDB) anunciou o corte de 474 cargos comissionados nas universidades estaduais. Os postos foram mantidos para 2017 após pressão de pais e funcionários, que até fizeram uma manifestação. "Infelizmente isso não deve continuar para o ano que vem. Os danos serão irreparáveis", observou Maristela.


A reportagem não obteve retorno da assessoria de imprensa da Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti).

(atualizado às 18h45)


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