O prefeito Tiago Amaral (PSD) começou 2026 em uma verdadeira “sinuca de bico” para definir quanto irá custar a passagem do transporte coletivo em Londrina, que está congelada em R$ 5,75 há dois anos. Durante todo o seu primeiro ano de mandato, o custo do subsídio ao sistema foi uma pedra no sapato.
Em números gerais, a estimativa é que o serviço custou R$ 305 milhões para ser executado em 2025, dos quais apenas R$ 128 milhões vieram dos bilhetes. Coube aos cofres públicos repassar quase R$ 180 milhões às concessionárias. Para 2026, a LOA (Lei Orçamentária Anual) prevê um investimento de R$ 118 milhões no sistema.
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Tiago deve anunciar ainda nesta semana o valor da tarifa e, enquanto o decreto não é publicado, a administração busca a melhor saída para não onerar o londrinense, o que é considerado altamente impopular. A FOLHA apurou que, na segunda-feira (12), a CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização) realizou várias reuniões para tentar reduzir os custos e, consequentemente, evitar que a passagem aumente.
Esse movimento ocorre porque, ao longo de 2025, em vários momentos o chefe do Executivo reclamou do quanto a Prefeitura repassa às concessionárias e do déficit orçamentário do município. Mesmo assim, no final de dezembro, à FOLHA, ele disse não gostar da ideia de aumentar o valor para o usuário.
“Eu tenho muita dificuldade para isso, até porque acho que tem um impacto muito grande, inclusive no volume de passageiros, que é um dos maiores gargalos do nosso sistema de transporte. O que eu puder fazer para evitar que isso seja transferido para o passageiro, para o usuário frequente, eu vou fazer”, afirmou Tiago.
O prefeito também tentou realizar uma auditoria das planilhas de custo do sistema no ano passado, por meio de uma dispensa de licitação feita pela CMTU. Uma empresa de Curitiba foi contratada por pouco mais de R$ 140 mil para analisar os valores, mas uma denúncia de que empresas da mesma família teriam participado do processo fez com que o contrato fosse rompido, e os valores pagos, cerca de R$ 28 mil, devolvidos ao município.
O último reajuste da tarifa técnica foi autorizado pelo ex-prefeito Marcelo Belinati (PP), em um dos últimos atos de sua gestão. À época, o valor era de R$ 8,75 na área da TCGL (Transportes Coletivos Grande Londrina) e de R$ 8,26 na área da LondriSul, e subiu para R$ 11,80 e R$ 10,20, respectivamente. Isso gerou um rombo de mais de R$ 100 milhões no orçamento do município, já que o aumento da despesa não estava previsto.