Esta segunda-feira (2) marcou o retorno às aulas para mais de 15 mil estudantes matriculados nos 53 cursos de graduação da UEL (Universidade Estadual de Londrina). Com uma semana recheada de atividades para recepcionar os estudantes que estão ingressando agora na universidade, o primeiro dia de aulas é um momento de muita ansiedade e nervosismo com o novo desafio que vem pela frente.
Apesar do retorno às aulas, uma paralisação dos docentes foi marcada para o dia 17 de março. A informação foi confirmada pela presidente do Sindiprol/Aduel, sindicato que representa a categoria, Lorena Ferreira Portes, que destacou que a cobrança é pela recomposição salarial de 52,18%, estagnada há quase uma década. Segundo ela, membros do sindicato vão participar de um ato em Curitiba com as demais entidades sindicais.
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Portes explica também que a categoria aprovou um indicativo de greve e uma nova assembleia foi marcada para o dia 19 de março. “É um momento de sensibilização, de alerta e tem muito mais um conteúdo político para poder sinalizar que nós estamos com essa defasagem e que a categoria docente está disposta a fazer um movimento mais contundente, um movimento grevista caso nós não tenhamos nenhuma resposta do governo diante essa estarrecedora defasagem salarial”, afirma.
Recepção dos calouros
Entre brincadeiras e interações, rostos novos começaram a jornada no ensino superior nos centros de estudo do campus da UEL. A reportagem foi conferir de perto o que os veteranos preparam para recepcionar os calouros e “quebrar o gelo”. De acordo com a UEL, foram ofertadas 3.180 novas vagas pelas diferentes formas de acesso à universidade.
No Ceca (Centro de Educação, Comunicação e Artes), clássicos da música pop eram entoados por veteranos e calouros no início da manhã em uma animação contagiante no Departamento de Artes Cênicas. No segundo ano do curso, Isabella Antunes, 19, explica que, para a recepção, eles escolheram o tema “baile de máscaras e noite do crime”, em que cada um dos calouros pôde personalizar uma máscara de acordo com os gostos e com a personalidade de cada um.
Além disso, eles preparam um “café comunitário” para os novatos e muita música para ajudar na interação entre os colegas de cênicas. Segundo ela, essa animação é uma marca do curso. “Desde cedo a gente fica gritando, pulando e dançando, sempre com muito barulho”, admite.
Ela explica que os calouros ainda estão um pouco tímidos, mas que eles vão se soltando com o passar dos dias, criando uma relação de confiança com os veteranos. “Eles vão se inspirar na gente, quando tiverem dúvidas eles vão atrás da gente. Vamos ser os alicerces deles”, afirma, destacando que, quando era caloura, teve uma relação muito boa com os colegas mais velhos.
Iniciando pela terceira vez o curso de artes cênicas, Maria Luisa Ferreira Rufino, 21, precisou trancar o curso anteriormente por questões pessoais, mas agora afirma que a meta é concluir a tão sonhada graduação. “Esse ano eu estou bem firme e bem animada para ficar aqui para valer”, admite a caloura.
Mayara Sutil Santos Silva, 18, também é caloura de artes cênicas e conta que enfrentou dúvidas na escolha do curso, mas optou por seguir pela paixão pela arte da atuação. “As expectativas são boas, eu acho que vai ser bem legal e eu vou me encontrar nesse curso”, afirma. Tímida, a caloura espera muita diversão nos próximos dias e promete que vai se soltar para poder conhecer todos os colegas de turma e veteranos.
Ainda pelos corredores do Ceca, a veterana de pedagogia Ana Luiza Silva, 20, contou à reportagem que o curso sempre faz no primeiro dia uma recepção para que os calouros possam contar um pouco sobre si. Na tradição, um fio é jogado entre os alunos, formando uma espécie de teia, em que cada um se apresenta e divide com os colegas algumas informações importantes. “A gente vai formar uma teia de conexões para mostrar que nós vamos recebê-los de braços abertos”, afirma.
Por ser o primeiro dia, Silva conta que os calouros ainda estão muito tímidos e ainda sem ter muito ideia do que precisa ser feito. Para ajudar, eles contam com uma outra tradição chamada “tio e tia”, em que cada veterano adota um calouro para orientar nesse início de ano letivo.
Vindo de Mogi das Cruzes, no interior de São Paulo, Jean Luiz Lima, 26, conta que escolheu a pedagogia por ser um apaixonado por educação e por ensinar. “Nós estamos precisando de professores, então eu quero ser professor. Eu sempre admirei os meus professores”, afirma.
Segundo ele, o primeiro dia no ensino superior está sendo maravilhoso, principalmente por conta dos veteranos, que são muito receptivos. “O que eu quero é concluir o curso e aproveitar o máximo da UEL, que eu já vi que, além de ser um local muito agradável, oferece muitas oportunidades também”, adianta.
“Professora Gabi”. É assim que a caloura Gabriele de Souza, 18, quer ser conhecida em breve, quando concluir sua graduação em pedagogia. Animada e super alegre, ela afirma que a educação já salvou sua vida e que seu sonho não é ser apenas uma professora, mas, sim, “aquela professora”, que é lembrada por ter marcado a vida de seus alunos.
Com um visual e uma personalidade extrovertida, a estudante afirma que adora conviver com crianças, o que motivou a escolha pela pedagogia. “Eu estava nervosa, com medo de gaguejar, mas eu fui me soltando um pouco mais com o pessoal e agora já estou tranquila. Parece que eu estudo aqui há muito tempo”, admite.
No CTU (Centro de Tecnologia e Urbanismo), alguns veteranos do curso de engenharia civil aguardavam os calouros saírem de um palestra para poderem tomar uma café da manhã especial de recepção, além de conversar um pouco sobre os próximos anos da graduação e o que eles precisam fazer para seguirem no curso da maneira mais tranquila possível.
Pedro Romanholi, 18, que está no segundo ano de engenharia civil, explica que a maioria dos calouros chega perdido e sem ter muita ideia do que é preciso fazer daqui para frente. “Tem que ser uma interação mais dinâmica, não pode ser algo muito sério”, afirma, em relação ao primeiro contato com os calouros.
Dentre as tradições do curso, ele explica que cada calouro recebe um tijolo personalizado com o apelido, sendo que ele precisa trazer o objeto todos os dias durante a primeira semana de aulas. Quem esquecer ou perder, recebe outros dois tijolos. “Outra tradição é imitar um jacaré na grama, que é o nosso mascote”, adianta.
No Departamento de Engenharia Elétrica, o veterano Ruan Cabrera, 19, conta que os calouros estão participando de uma falsa aula, em que o objetivo é aliviar a tensão e a ansiedade do primeiro dia. Para ele, esse momento de recepção é algo que ficará marcado na memória por muito tempo. Entre as tradições, estão a de cantar o “Hino da Elétrica”, que já tem mais de 30 anos de história, e a do apelido, que cada um dos calouros herda dos veteranos ou recebe um novo durante a primeira semana.
Confirmação de matrícula
Ana Márcia Fernandes Tucci de Carvalho, pró-reitora de Graduação da UEL, afirma que, apesar do momento de alegria com o primeiro dia oficialmente como estudante de graduação, os ingressantes precisam cumprir uma etapa muito importante e que vai garantir a vaga dele na universidade: a confirmação de matrícula.
Os ingressantes têm entre os dias 2 e 6 de março para confirmar a matrícula no Portal do Estudante da UEL. “Essa confirmação garante a vaga do estudante”, ressalta, complementando que basta fazer um clique para validar a matrícula, levando menos de cinco segundos para confirmar. Até sexta-feira, ela adianta que a Prograd estará aberta, das 8h às 20h, ininterruptamente, para auxiliar os estudantes que tiverem dúvidas.
Quem ainda não conseguiu uma vaga na UEL deve ficar atento ao edital com as vagas remanescentes, que deve ser divulgado ainda nesta semana e que conta com as regras para o acesso por meio das vagas que sobraram. Além disso, até o final do mês, também vai ser publicado o edital para os estudantes que já possuem diploma de ensino superior e que gostariam de ingressar em outra graduação.
A pró-reitora deseja a todos os novos estudantes as boas-vindas à UEL, sendo uma jornada que começa agora e que finaliza no Moringão, durante a cerimônia de colação de grau daqui alguns anos. “Eu costumo dizer que a UEL pulsa, que é um ser vivente e que pode trazer para cada estudante muito conhecimento técnico”, afirma, complementando que a graduação também é um momento para criar laços que vão seguir para fora do campus.