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Suspeita de corrupção

Valdir afirma que pode processar empresário que citou rachadinha

Douglas Kuspiosz - Grupo Folha
25 mar 2026 às 17:45

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Foto: Douglas Kuspiosz
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O vereador Valdir Aparecido dos Santos (PP), o Valdir Santa Fé, prestou depoimento nesta quarta-feira (25) ao promotor Renato de Lima Castro, no âmbito do inquérito civil que apura um suposto esquema de rachadinha em seu gabinete. O caso é investigado desde o ano passado e veio à tona após um empresário do ramo de veículos, pai de uma ex-assessora de Valdir, ser gravado dizendo que receberia R$ 6 mil mensais do gabinete.


Acompanhado de seu advogado, João Miguel Fernandes Filho, Valdir chegou por volta das 15h à sede do MPPR (Ministério Público do Paraná) e, ao atender a imprensa, negou qualquer irregularidade em seu gabinete. “Eu nunca dei nada. Eu não compactuo com coisa errada e isso vai ser provado na Justiça”, disse o vereador.

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Na conversa entre o empresário e a ex-assessora, gravada por ela em meados de junho de 2025, o homem fala abertamente sobre ser “dono” de um cargo na equipe do parlamentar e alega ter investido na campanha de Valdir. O empresário trabalhou como voluntário na campanha, mas, para o MPPR, ele teria repassado pelo menos R$ 21 mil.


“Eu coloquei dinheiro na campanha dele. Esse dinheiro não voltou para mim ainda. Vai passar alguns [anos], uns dois anos, para voltar meu dinheiro. Eu tenho meu dinheiro de volta. Você não está entendendo. É coisa de homem, nós não temos contrato, não foi nada no cartório. É coisa de homem, na política tem acordo”, afirma o empresário na gravação, ao dizer que receberia R$ 3 mil do parlamentar e R$ 3 mil de assessores.


Antes de a filha do empresário atuar no gabinete, com salário bruto de R$ 4.458,59, a esposa dele havia sido contratada como assessora.


O advogado de Valdir destacou que há comprovação de transações feitas por assessores com o empresário, referentes à compra de veículos. “Nós já enviamos via e-mail para a procuradoria e estamos trazendo fisicamente. Agora, o que a pessoa fala ou deixa de falar, ele [Valdir] não pode ser responsável pelos atos de algum terceiro”, disse Fernandes Filho. Já o vereador negou ter qualquer tipo de negócio com o dono da loja de veículos.


O vereador afirmou, inclusive, que estuda processar o empresário pelas afirmações feitas na gravação. “Estou falando com meu advogado e, se possível, vamos mover uma ação por danos morais, calúnia e difamação.”


Ao MPPR, o empresário negou ter feito qualquer acordo com o parlamentar. Disse que conhece o vereador desde 2008 e que os dois são amigos. Também confirmou que trabalhou como voluntário na campanha, mas negou ter emprestado dinheiro a Valdir ou recebido qualquer valor do gabinete. “Nenhum [deles, Valdir ou assessores] me entregou dinheiro, isso não existe. Isso é ela [a ex-assessora, sua filha] que está dizendo”, relatou o empresário ao promotor, no dia 18 de março.


Valdir permaneceu pouco mais de 15 minutos no MPPR e disse que seu depoimento durou cerca de três minutos. Ele abriu mão do seu sigilo bancário. “Quem não deve, não teme. Estou dando minha cara à tapa, é o que eu falei para o promotor. Não tenho como intervir na vida pessoal dos meus funcionários, que cada um faça o que quiser da sua vida. E, se não servir para mim no meu gabinete, eu mando qualquer um embora”, reforçou o vereador.


Sobre o acesso às suas contas bancárias, garantiu estar tranquilo. “O travesseiro vai estar me esperando para eu dormir tranquilo esta noite.”

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A oitiva do vereador deve ser a última no âmbito do inquérito civil, que deve ser concluído nos próximos dias pelo promotor Renato de Lima Castro.

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