Uma pinta que muda de tamanho, uma mancha que escurece ou uma lesão que não cicatriza: alterações aparentemente simples podem ser os primeiros sinais do melanoma, o tipo mais agressivo de câncer de pele. Durante o Junho Preto, mês dedicado à conscientização sobre a doença, a Sesa (Secretaria de Estado da Saúde) reforça um alerta que pode fazer toda a diferença: quanto mais cedo o diagnóstico, maiores são as chances de cura.
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Embora represente uma parcela menor dos cânceres de pele, o melanoma é responsável pela maior parte das mortes associadas à doença. Isso acontece porque ele tem maior capacidade de se espalhar para outros órgãos quando não identificado e tratado precocemente.
O acompanhamento dos pacientes com melanoma também se reflete na assistência prestada pela rede hospitalar do Paraná. Dados do Sistema de Informações Hospitalares apontam a realização de 2.498 procedimentos relacionados ao melanoma maligno da pele (CID C43) entre 2024 e abril de 2026 no estado. Foram 1.058 procedimentos em 2024, 1.045 em 2025 e 395 nos primeiros quatro meses de 2026.
Entre os procedimentos mais frequentes estão as cirurgias para retirada de lesões e reconstrução da pele após o tratamento. Somente a excisão e sutura de lesão na pele com plástica em Z ou rotação de retalho somaram 846 procedimentos no período. Também foram feitos 332 procedimentos de reconstrução de partes moles em oncologia, 233 tratamentos clínicos de pacientes oncológicos, 228 tratamentos de intercorrências clínicas de pacientes oncológicos e 192 exéreses múltiplas de lesões da pele ou tecido celular subcutâneo.
Os números demonstram que, além da prevenção e do diagnóstico precoce, o Sistema Único de Saúde no Paraná mantém uma rede preparada para atender pacientes em diferentes estágios da doença, desde a investigação inicial até procedimentos cirúrgicos mais complexos e acompanhamento especializado.
Diagnóstico precoce
O secretário estadual da Saúde, César Neves, afirma que o Estado tem investido no fortalecimento da linha de cuidado oncológica para garantir assistência em todas as etapas do tratamento.
Segundo ele, os dados mostram que milhares de procedimentos relacionados ao melanoma foram realizados nos últimos anos na rede pública paranaense. Isso demonstra a capacidade do SUS de oferecer desde o diagnóstico até tratamentos especializados. “Mas o nosso maior desafio continua sendo incentivar a prevenção e o diagnóstico precoce, que aumentam significativamente as chances de cura”, afirmou. “Muitas pessoas associam a doença ao verão e a maior exposição ao sol, mas os cuidados devem ser mantidos durante todo o ano e, também, no inverno”.
No Paraná, a rede pública de saúde conta com uma linha de cuidado estruturada para identificação, diagnóstico e tratamento dos pacientes. A orientação é que qualquer lesão suspeita seja avaliada o mais cedo possível por um profissional de saúde.
A médica dermatologista Priscila de Cássia Francisco, que atua no Hospital de Dermatologia Sanitária do Paraná, vinculado à Sesa, diz que o acompanhamento é fundamental, especialmente para quem já recebeu o diagnóstico da doença. “Quem já teve melanoma apresenta um risco maior de desenvolver novos melanomas ao longo da vida. Por isso, geralmente permanece em acompanhamento especializado. O objetivo é monitorar alterações na pele e identificar novas lesões ainda em fases muito iniciais”, afirma.
Fatores de risco
Entre os principais fatores de risco estão a predisposição genética, o histórico familiar da doença e a exposição acumulada ao sol ao longo da vida. Segundo a especialista, a combinação desses fatores pode aumentar significativamente a probabilidade de desenvolvimento do melanoma.
A detecção precoce continua sendo a principal estratégia para aumentar as chances de cura. Quando identificado nos estágios iniciais, o melanoma pode ser tratado de forma mais simples e com melhores resultados.
Para monitorar pacientes com maior risco, os serviços especializados utilizam recursos como a dermatoscopia, exame que permite uma avaliação ampliada das lesões da pele. Em alguns casos, também é feito o mapeamento corporal digital, que registra imagens para comparação ao longo do tempo.
“O nosso principal objetivo é encontrar melanomas muito iniciais, ainda finos, quando as chances de sucesso no tratamento são maiores. O diagnóstico precoce continua sendo a ferramenta mais importante no combate à doença”, acrescenta a dermatologista.
Quando uma lesão suspeita é identificada na Atenção Primária à Saúde, o paciente é encaminhado para avaliação especializada. A partir dessa avaliação podem ser feitos exames complementares e biópsias para confirmação do diagnóstico. Nos casos em que o melanoma está restrito à pele, o tratamento pode ser conduzido pelos serviços especializados em dermatologia. Quando há necessidade de investigação mais aprofundada, como avaliação de linfonodos ou suspeita de disseminação da doença, o acompanhamento passa a envolver equipes de cirurgia oncológica e outros especialistas.
Cuidados
A chegada do inverno costuma trazer uma falsa sensação de proteção contra os danos causados pelo sol. No entanto, a radiação ultravioleta continua incidindo sobre a pele mesmo em dias frios ou com céu encoberto. Por isso, os cuidados não entram em estação: o uso de protetor solar, a proteção adequada durante atividades ao ar livre e a atenção a possíveis alterações na pele devem ser mantidas ao longo de todo o ano.
A população deve ficar atenta a pintas ou manchas que apresentem mudanças de cor, formato ou tamanho, além de lesões que sangram, coçam ou não cicatrizam. O uso diário de protetor solar e a redução da exposição excessiva ao sol permanecem entre as principais medidas de proteção.
Neste Junho Preto, o alerta é simples, mas essencial: conhecer os sinais do melanoma e procurar avaliação médica diante de qualquer alteração na pele pode representar a diferença entre um tratamento mais complexo e uma chance muito maior de cura.